domingo, 22 de março de 2015

Poluição de matérias tendenciosas na internet

Os Repassadores de Postagens Tendenciosas Prestam um Desserviço ao País e a Democracia...
            As redes sociais estão poluídas de postagens tendenciosas repassadas por desavisados internautas, apaixonados por determinadas causas, geralmente políticas. Repassam tudo o que for a favor ou contra esta causa. Estas pessoas tornaram-se conhecidas dos amigos no meio virtual e passam a ser até mal vistas por “encherem o saco” a toda a hora com postagens a favor ou contra o governo, Dilma e Lula; a favor ou contra o Aécio Neves, FHC, Serra e Alckimin, etc. Parece a clássica e eterna luta entre anjos e demônios.
            Só uma minoria ignora que estas postagens que vem de fontes desconhecidas atacando políticos, autoridades, jornalistas e a imprensa são gestadas e paridas, dentro de laboratórios organizados para tal finalidade para defender interesses escusos de partidos e organizações. Estas “oficinas de trabalho” monitoram a internet, refutam e distorcem informações, aumentam ou diminuem fatos. Semeiam inverdades e calúnias. São verdadeiros laboratórios do crime. Falando de maneira simples para que todos entendam, existem determinados locais, onde várias pessoas de forma coordenada, trabalham dia e noite para criar postagens e coloca-las na net de forma totalmente tendenciosa. Inclusive está para ser confirmada a possível ocorrência de que algumas dessas pessoas seriam assalariadas por dinheiro da operação lava jato.
            Pessoas desavisadas, geralmente fanáticos partidários, repassam de boa ou má fé estas postagens. Um conhecido escritor comenta que “estas pessoas auto enganadas são até mais eficientes na propagação de inverdades do que as que agem de má fé”. Uma pessoa cria uma matéria tendenciosa e uma rede de “cegos e adormecidos” que caem como um patinho, repassam estas matérias multiplicando milhares de vezes a matéria maliciosamente forjada, trazendo um prejuízo incalculável a democracia e a plena cidadania das pessoas.
            Temos um exemplo prático disto: Após as últimas manifestações de rua em que no mesmo dia e no dia seguinte surgiram várias postagens tentando desqualificar as manifestações em si ou tentando desqualificar as reinvindicações. Parece ter havido até manipulação de imagens, na tentativa de mostrar algo favorável a esta ou aquela causa. Até imagens plantadas teriam circulado na internet. Os laboratórios da manipulação passaram a noite trabalhando para apresentar aos incautos as suas criações.
            Respeito muito a opinião alheia, mas paciência tem limites. Há pessoas que beiram ao ridículo quando sistematicamente repassam este tipo de matérias. Um amigo já falecido seguidamente comentava que não se conformava que “Deus havia colocado um limite para a inteligência e o bom senso, mas não havia colocado limite para a burrice, a estupidez e a maldade humana”.
Eu acho positivo o repasse de informações vindas de fonte confiável, idônea que possam contribuir para esclarecer os fatos e o debate responsável dos problemas do país. Eu mesmo repasso algumas postagens de opinião de fontes conhecidas. Alguns dirigentes de países que levaram o mundo a guerras se utilizaram largamente destes métodos de “propaganda”, notadamente os regimes que mais prejudicaram a humanidade como o nazista na Alemanha, fascista na Itália e comunista na Rússia, cresceram e cegaram multidões que se fanatizaram e cometeram crimes hediondos contra seus próprios cidadãos, chegando ao extremo de algumas vezes as atrocidades serem contra familiares muito próximos. Já citei em outra postagem, o caso da jovem alemã que preparava as casas desocupadas por judeus presos e mortos em campos de concentração para receberem as famílias alemãs que ali viriam morar. Fazia tudo com muito carinho, colocando vasinhos de flores e ajeitando os móveis no lugar. Após o fim da guerra ainda levou dez anos para cair na realidade e perceber que seu líder era um louco seguido por uma multidão de cegos fanáticos que haviam sido habilidosamente manipulados de forma contínua durante muito tempo. Hoje fica a pergunta como os alemães não perceberam as loucuras de Adolf Hitler?

            O meu repúdio a estes que praticam continuamente nas redes sociais e na imprensa de forma tendenciosa a execração moral de opositores políticos. Isto é método de propaganda utilizado pelos nazifascistas: desmoralizar permanentemente a qualquer custo os opositores. A humanidade já sabe no que isto resultou. Penso que nas próximas eleições merecemos votar, em projetos claros para o país e não que sejamos levados a votar por ações altamente reprováveis deste tipo de conduta. Nós todos somos responsáveis por mudar esta situação. Fique de olho! 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Todos de certa forma somos responsáveis por formar consciência crítica na população

                   Considerações sobre a crise atual do nosso país

      Poucas pessoas tem paciência para ler textos grandes de opinião. Perdoem-me os impacientes, mas receio que a situação do país não poderá neste momento sofrer uma análise mínima sem que se tenha que discorrer várias laudas.
      Ninguém vive isolado e estou rodeado de várias pessoas, familiares, amigos, colegas de trabalho, pacientes e a grande maioria está perplexa e indignada com o momento atual da economia e da política do nosso país. Eu diria que a angústia está tomando conta do ânimo da nossa gente.
      Há tempos atrás tive militância política ativa. Hoje estou afastado, mas não indiferente. “O preço a ser pago pelos que se omitem e não gostam de política é ser governado pelos corruptos e pelos incompetentes”, disse alguém que não recordo o nome. Na minha juventude aprendi dos meus pais que o mais educado devia se calar. Hoje acho que deve ser assim, desde que o silêncio não signifique conivência nem omissão. Agora com a responsabilidade de escritor e da maturidade principalmente, estou escrevendo a pedido de muitas pessoas que estão “desassossegadas” com todo este bombardeio de informações e boatos que circulam de boca em boca, na imprensa e nas redes sociais. Na opinião delas tenho o necessário equilíbrio para escrever algo útil. Sou humilde o suficiente para não ter a presunção de que poderei contribuir com muita coisa. Por favor, um aviso para os que tiverem a paciência de ler, é só o meu ponto de vista, baseado na reflexão que fiz sobre as informações que possuo.
      Estamos completando cem anos do início da primeira guerra mundial que só ocorreu porque além dos países inicialmente envolvidos no conflito muitos líderes pelo mundo todo permitiram que acontecesse por falta de empenho em cortar o mal pela raiz. Com a segunda guerra foi a mesma coisa. Uma sucessão de equívocos lamentáveis!
      Vejo com preocupação muitas análises apaixonadas e tendenciosas, revanchismo e mesmo muitas pessoas irresponsavelmente torcendo pelo pior e outras ainda fazendo provocações. Para que se possa fazer uma análise mais próxima da realidade e é isto que precisamos, temos que nos afastar do viés ideológico. Para vocês terem uma ideia de como esta percepção ideológica e fora da realidade é muito perigosa, pois cega completamente as pessoas, coloco aqui o exemplo daquela jovem alemã encarregada de limpar as casas dos judeus levados aos campos de concentração e mortos pelo regime nazista. Ela sabia que os antigos habitantes das casas seriam mortos e, no entanto preparava as casas com muito amor, ajeitando os móveis, colocando vasinhos de flores nas janelas para receber os colonos alemães que ali viriam habitar. Esta moça, hoje uma senhora, com quase noventa anos, confessou que chorou muito quando Hitler perdeu a guerra, que viu acabar o seu mundo particular de sonhos e precisou ainda de dez anos, vejam bem, dez anos! Para enxergar a loucura e a insensatez de seu líder. Hoje não consegue entender como pode aceitar aquilo. O fanatismo é o sentimento humano que mais ajudou a matar pessoas, ainda mata e vai continuar matando, ou fazendo muitos estragos. Nem vamos entrar neste capítulo sangrento.
Portanto, para uma análise razoavelmente isenta, precisamos afastar a paixão, deixar de lado aquilo que gostaríamos que fosse, mas não é! E analisarmos somente os fatos. Contra fatos não há argumentos, já dizia meu saudoso pai. Aconteceram e continuam acontecendo fatos gravíssimos em nosso país, mas não estamos a perigo somente pelo que aconteceu de muito grave até aqui: carteis, mensalão, petrolão, mas sim pela falta de humildade dos nossos governantes em reconhecer os erros que foram cometidos na economia e na política. Precisamos de uma “presidenta” que olhe para a nação e não para o próprio umbigo e para o próprio partido. Os fatos mostram a presidente agindo somente nesta direção. Este é o nosso verdadeiro e principal problema.
O que está deixando a maioria da nossa população angustiada e desesperançada é uma percepção cada vez maior da falta de sintonia do governo com seu povo. O governo tenda fugir da responsabilidade. Como presidente da república até poderíamos entender que Dilma não soubesse do esquema na Petrobrás, mas como Presidente do conselho da estatal durante boa parte do tempo em que as coisas aconteceram é difícil acreditarmos que uma pessoa competente, inteligente, responsável não soubesse de nada. Então podemos concluir que no mínimo ela foi incompetente num grau inadmissível para quem quer governar o país. Este é um fato e há alguma outra forma razoável de interpretá-lo? Aí ela vai para a imprensa a poucos dias e diz que isto deveria ter sido investigado lá atrás, durante o período do presidente anterior a era Lula, o presidente Fernando Henrique. O PT na oposição queria CPI para tudo e foram muitas. Aqui vamos ser justos os papéis se inverteram: Quem antes queria CPI e esforçava-se para que elas não virassem pizzas, agora não quer, e boicota tudo. Já os que antes não queriam e boicotavam, agora botam a boca no trombone e fazem uma barulheira infernal.  Outro fato, nenhum partido no governo teve tanto tempo para investigar como este que já ocupa o poder a mais de 12 anos.
Eu acho que só os apaixonados pela ideologia no poder, acham muito natural passar por cima de um princípio jurídico básico para justificar os desmandos. A de que sempre houve corrupção e por isto estaria tudo justificado. A culpa de outros não é de forma nenhuma atenuante, nem justifica a nossa culpa. Ao usar este argumento, estas pessoas estão admitindo a corrupção como fato inevitável e nos passam a ideia de que ela irá continuar! Com isto não podemos concordar!
A maioria da população quer o fim da corrupção. Só é contra e acha inúmeras justificativas aqueles se se beneficiam dela, nem que seja só a gratificação emocional de ver o seu partido no poder. O que houve no passado não se pode mudar, mas queremos daqui para frente a garantia de que esta situação que está espoliando o Brasil não continue e de que haja punições e ressarcimentos. A maior punição é a retomada dos valores indevidamente conquistados.
Eu estudei um pouco a cartilha da propaganda nazista e identifiquei muitas regras sendo seguidas aqui. Deixo uma pergunta, alguém teria estudado esta cartilha pelo lado de cá do oceano Atlântico e achado alguma coisa útil? Desmoralizar adversários, através de busca ao passado e se nada for encontrado, usa-se até de má fé mesmo! Olha a tentativa forte e sistemática de tentar desmoralizar o sr. Joaquim Barbosa, relator do mensalão e para alguns forte candidato a presidência nas próximas eleições. Há também até mesmo algumas tentativas de desmoralizar o Juiz Moro do Paraná. São táticas condenáveis. Outras normas da cartilha nazista é embaralhar tudo, tentando fazer parecer que todos são “farinha do mesmo saco” e negar, negar e negar, refutando fatos incriminadores para confundir os mais incautos. Que cada um assuma, os seus erros e saiba também reconhecer os acertos dos demais. Vamos aqui ser justos, não é um único partido que está envolvido. Não é só o PT. É toda a estrutura de poder, PMDB, PP, etc. São vários partidos, empresários, e também uma boa parcela do congresso. Corrupção sempre houve! Provavelmente seja verdade, mas o recebimento de quantias enormes indevidas, de forma sistemática e continuada para financiar alguns partidos e as forças políticas no poder da república parece ser coisa de um pouco depois do ano 2000. E também seja dito, não é só na união que temos problemas de corrupção. Ela existe em muitos estados e municípios e em muitas outras empresas estatais.
 Para piorar ainda mais o nosso congresso nacional, também está voltado para seu umbigo e não está respondendo aos anseios da população. Ainda esta semana a Câmara Federal, decepcionou o povo brasileiro com a aprovação de mais passagens aéreas para as esposas dos deputados e aumento da verba de custeio dos legisladores. O que vocês acham meu povo, seria uma leviandade levantarmos a suspeita de que com estas medidas o atual presidente da câmara estaria pagando promessa a muitos de seus eleitores para a presidência da casa?  Há também a decepção com uma parcela do judiciário, basta ver o caso do juiz andando com o carro apreendido do réu Eike Batista.  Absurdo, inadmissível.
Os mais pacíficos cidadãos estão vendo que a única forma que os políticos ouvem é quando o povo vai para a rua. A ninguém interessa a desordem e o caos, mas o governo e mesmo o congresso não estão dando as respostas aos anseios da população. Será que é muito difícil perceber pelo menos o que o nosso povo não quer. De uma forma geral, é mais difícil saber o que se quer, mas sempre temos muito claro o que não se quer.
O país não quer a volta da inflação. Será que o governo fez o seu dever de casa para evita-la? Com a idade que tenho e como ex-funcionário de banco lembro muito bem da época da inflação que corroía as rendas e impossibilitava um planejamento de médio e longo prazo. Quem mais paga a conta da inflação são os mais pobres. Todos entendem a volta da inflação como uma coisa extremamente nociva para a sociedade. Seria uma das piores coisas a nos acontecer! Há aproximadamente 20 anos atrás a inflação no Brasil chegou a cerca de 3.000% ao ano. Temos muitos jovens que não se lembram da inflação, mas muitas pessoas tem isto bem vivo na memória. Não queremos de forma nenhuma que seja abandonada a meta da inflação de 4,5% ao ano.
Não queremos ver o governo subir impostos para resolver os seus problemas de caixa. Qualquer cidadão sabe que se estiver gastando fora do seu orçamento tem que reduzir gastos, ou a situação vai se tornar insustentável. A Presidente (escrevo assim porque é a grafia correta) deve fazer o que tem que ser feito, mesmo que não seja a promessa de campanha. Hoje no papel de gerente deste país, tem que tomar as medidas necessárias, mesmo que impopulares. O povo até compreende e está preparado para estas medidas. O que trás indignação é o governo não agir e a situação ir se deteriorando cada vez mais. Quanto contraste entre a situação que a então candidata apresentava em suas inserções de publicidade paga com dinheiro de origem duvidosa e a situação que hoje ela precisa administrar.
Não desejamos presentinhos como decretos lei, que criam leis contrárias a vontade do nosso povo. Chega de medidas, estatutos e falatório que nos dividem entre ricos e pobres, entre pretos, brancos e índios. Novamente olhando os fatos, alguns estatutos criados pelo governo, praticamente passam um atestado de desigualdade social. Somos iguais e, portanto, se apliquem as mesmas leis para todos os cidadãos. Os únicos que reconhecemos que necessitam de proteção especial são os portadores de necessidades especiais. Louvável a medida que criou cotas no trabalho, nos concursos e no ensino.
Outra situação que não desejamos é ver a política externa deste governo apoiando governos ditatoriais. Dá para perceber e isto é um fato muito preocupante, uma grande simpatia do atual governo do nosso país por aqueles governos que se perpetuam indefinidamente no poder: Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba. Seria insano eu pensar que estes governos estejam sendo vistos com alguma inveja pelos nossos governantes? Diante da simpatia visível me parece um pensamento bastante lógico. Perdoem-me os que haverão de discordar da afirmação anterior! Não há nenhuma manifestação oficial do governo brasileiro sobre a situação da Venezuela que é gravíssima. O presidente Lula vinha surfando tranquilo em sua política externa, dizem que até sonhava em ser o secretário geral da ONU, até que se envolveu na crise da Guatemala e daí para frente deu uma perigosa guinada e perdeu prestígio nitidamente. Até o assessor jurídico do PT afirmou que na época a Guatemala estava cumprindo com sua constituição. E ainda mais, o nosso governo se recusava aceitar uma eleição democrática que ocorreu na Guatemala depois. Cada país tem suas leis e concordando ou não temos que aceita-las. Quando viajo a um país, sei que preciso me submeter as leis locais. Não há como ser de outra forma! Recentemente me parece ter havido inclusive o reconhecimento pessoal da presidente de que teria dado uma ajuda de 800 milhões de dólares a Cuba, além do acordo secreto que financiou grandes obras na ilha para ajuda-la a se tornar viável economicamente. Porque nós brasileiros não podemos saber o que é feito com o nosso dinheiro nestes empréstimos do BNDES no exterior. Qual a justificativa para isto? Talvez seja de que não há justificativa para tais empréstimos.  As pessoas podem ter as suas simpatias pessoais e suas convicções, mas não devem pagar por isso com o dinheiro dos outros, no caso o nosso dinheiro.
Ninguém de sã consciência deseja destituir o governo do poder, mas para isso é necessário que este mostre firmeza de atitude. O novo ministro da fazenda Joaquim Levi, tem credibilidade pessoal para começar a dar jeito na casa, mas é preciso que seja apoiado, coisa que parece que não tem acontecido. Inclusive o próprio partido no poder não vê este ministro com muita simpatia.
Presidente Dilma, não pense em si e no seu partido. Imagine que a senadora Marta Suplici já veio a público dizendo que o Ministro Mercadante é o futuro candidato da presidente Dilma para a sucessão daqui a quatro anos e que a disputa com o ex-presidente Lula já está em andamento. Presidente! Tenha a santa paciência! Esta é hora de pensar no país e não em sucessão presidencial. Isto é um fato e demonstra um apego ao poder que não dá para entender. Numa democracia é normal e saudável uma alternância no poder.
 A luta da presidente está se mostrando que não será fácil, agora que até alguns membros do seu partido estão se voltando contra ela, pois, segundo o Financial Times de Londres, a estão vendo como “intrusa e oportunista”. Com os escândalos da Petrobrás, o pessimismo do mercado diante do governo só aumenta.
      Fica o registro de que muitos brasileiros estavam dispostos a perdoar o aumento da inflação e do crescimento econômico baixo porque tinham seus empregos garantidos, mas que agora quando se depararem com grandes dificuldades de se manterem no mercado de trabalho, devido a retração da economia que deverá ter redução de 0,5% este ano, deverão engrossar o coro dos que puxam a popularidade presidencial para baixo. Há também um contingente grande de jovens que saíram da universidade graças ao aumento das oportunidades para o curso superior, criadas pelo governo do PT (fato muito positivo) e que agora se veem diante da frustração de não poderem atuar nas suas áreas de formação. Isto fará a popularidade do governo despencar ainda mais no curto e médio prazo.
      Presidente Dilma, o que esperamos é ação do governo para enfrentamento desta crise que já chegou e tende a agravar-se. Se forem necessárias muitas das medidas que a Sra. disse em campanha que o Aécio faria, se for para o bem do Brasil faça, tenha a humildade fazer, se for para o bem geral da nação. O povo até irá perdoá-la por isto, pois sentirá que trabalha pelo país. Coisa que não fica muito claro por enquanto. Dá para aceitar até que o preço dos combustíveis no Brasil já subiram e subirão ainda mais, enquanto estão baixando bastante no resto do mundo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi criticado duramente pelo seu partido pelos apagões durante o governo dele. O PT dizia que havia faltado planejamento. Agora no seu governo estamos até dispostos a aceitar como desculpa a falta de chuva mesmo, como azar (não existe precedente histórico de tanta falta de chuva por um período tão grande!), mas desejamos que a senhora aja em sintonia com os anseios da população.
      O povo brasileiro precisa ter serenidade e unir-se em torno de alguém que represente a esperança de novamente viver dias melhores. Se a nossa presidente, por limitações diversas, não representar esta esperança, será atropelada pela história, o que ninguém deseja. A nação precisa de um governo de maioria e para a maioria da população, porém é necessário ter um olhar especial, acolhedor e protetor das minorias. Eu mesmo me senti excluído quando ouvi a presidente dizendo que faria um governo para as mulheres, para os pobres e para os negros. E eu onde fico? Gostaria de ter ouvido que ela faria um governo para os aposentados também, pelo menos me incluiria em alguma coisa. Estes contribuíram a vida inteira e quando estão idosos e fragilizados e já não tem alternativa, são tratados com um aumento abaixo da inflação. Você que hoje não se preocupa com aposentadoria um dia, se tudo correr bem com sua saúde, chegará sua vez e então verá como é triste ser esquecido pelo governo do seu país, quando você mais precisa dele.
      Para finalizar um fato, gravíssimo. Vejam bem é um fato. Ficou evidenciada a submissão do congresso nacional ao executivo no episódio da derrubada do cumprimento da meta fiscal do ano passado para que a presidente se visse livre de não ter cumprido a lei orçamentária. Não que eu desejasse uma brecha legal para o impedimento da Presidente, mas pela gravidade do fato em si. Olhei os votos dos nossos deputados e senadores. Vi vários votos incoerentes entre o discurso e a prática, especialmente de um então deputado do PP que sempre veio aqui “roncar grosso”, falar mal do governo federal e que votou com o governo, sem nenhuma coerência e justificativa. Este fato pode ser tomado como um indício muito forte de negociatas no congresso para garantir a base aliada. Portanto o Congresso nacional, não está com esta bola toda. A imagem da Câmara e do senado está muito negativa. Não bastasse as passagens aéreas para as mulheres agora o presidente da câmara anuncia obras milionárias na casa, numa época que todos deveriam economizar. E agora na instalação da  3ª CPI da Petrobrás está foi instalada com o presidente e relator que foram os parlamentares que mais receberam doações das empresas da operação lava jato. Se é assim será total perda de tempo. absurdo total. Como disse agora a pouco um amigo: Raposa cuidando de galinheiro. Inadmissível! Está na hora dos nobres deputados e senadores também fazerem o dever de casa. Queremos um congresso responsável, independente e autodeterminado e não um congresso submisso aos caprichos do executivo. O povo deseja que sejam votadas as reformas necessárias ao país, independente de que partido ou deputado veio a boa ideia. Chega de marasmo e lentidão no congresso. Todos ali são bem pagos e bem assessorados para trabalhar.  O congresso tem grande parcela de culpa em toda esta situação do país.
      Vamos aguardar as manifestações que com certeza haverão de acontecer, mas que sejam ordeiras e pacíficas e sem infiltrações de radicais seja de que lado for. Acho que temos que protestar contra esta câmara dos deputados também, não só contra o executivo federal, pois os deputados estão passando dos limites! Se o governo tomar as medidas necessárias, vamos nos municiar de paciência que, segundo as previsões, dentro de dois anos voltaremos a crescer e tudo terminará bem.

      

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ajuda da sabedoria popular ajudando na escolha dos candidatos

A Sabedoria Popular Ajudando a Botar os Pingos nos Is das Candidaturas...


Pessoal, a campanha política está muito acirrada para o gosto de muitas pessoas. Eu gostaria de ver um debate de propostas. Há muito blá, blá, blá. Perda de tempo com coisas irrelevantes. Uma campanha de acusações, com verdadeiras, tentativas de linchamento moral. Verdadeiras picuinhas de fofoqueiros. A maioria dos eleitores não gosta que subestimem a sua inteligência, não gosta de estupidez. Os candidatos a presidência tem que demonstrar que são estadistas, a serviço do seu país e das nações unidas. As propostas do projeto devem ser claras. Quando é que votaremos em propostas e em partidos e não em pessoas? É uma vergonha que se tenha que questionar a honestidade dos candidatos e até de alguns partidos. Esta deveria ser a condição primeira de alguém que aspira governar o país. Enquanto não votamos em propostas ou em programas de partidos como ninguém governa sozinho, seria importante conhecer o pensamento da equipe que irá assessorar o mandatário. Tem que ficar bem claro que o eleito respeitará a vontade do povo. Que não governará para grupos. Numa democracia deve ser feito o governo da maioria, tendo sempre um olhar atento e acolhedor também para as minorias.
Frente a toda essa “empepinada e embananosa” salada de frutas desta campanha, estou tentando ser racional e buscar raciocinar de uma forma ordenada e segura, isenta de paixões. Para isto fui buscar a sabedoria popular. Muitos dos assim chamados ditados populares se mostraram verdadeiros ao longo do tempo e alguns, é claro, são apenas parcialmente reais, porém não deixando de ter um “fundo de verdade” o que já deve ser motivo para nos levar a meditar sobre o assunto.
Temos que buscar a verdade. “A verdade vos fará livres”, diz a bíblia. E a verdade pode estar muito longe da declaração daquela grande autoridade, do pensamento já consagrado daquele sábio, do ensinamento de um emérito professor, ou da dica daquele artista famoso, ou do vizinho ou amigo bem informado. Eles podem ser bons na área deles, mas quem garante que podem enxergar a verdade com mais clareza que nós? Até porque posar de sábio irretocável não é uma atitude muito “franciscana” de humildade. Temos, portanto, sempre que nos dar o direito de ficar em dúvida. A certeza é a maior inimiga da verdade. E como neste período de eleições encontramos pessoas que tem certeza de que seus candidatos(as) são os melhores! E muitos até não tem certeza que os candidatos são bons, mas acreditam que sabem quem é o pior.
Vou me valer da velha sabedoria dos meus avós e dos meus pais para tentar jogar um pouco de luz nesta confusão de “mente, desmente” do ambiente político. Um dos grandes ditados é de que “digam-me com andas que te direi quem és”. Isto se mostra muito verdadeiro e podemos observar de forma bastante clara em realidades próximas a nós. O semelhante atrai o semelhante. Nós somos amigos e andamos juntos daqueles com quem temos afinidades, com quem nos identificamos na maneira de agir e de pensar. Portanto se na diplomacia andamos juntos com países que atentam contra a liberdade de imprensa e a democracia (Cuba, Venezuela, Irã, Bolívia, Equador) e que reelegem os mandatários indefinidamente, certamente temos uma inclinação para o totalitarismo e o cerceamento das liberdades individuais e mais cedo ou mais tarde vamos manifestar isto. Se em nossa trajetória começar a aparecer ladrões; se temos companheiros ladrões. Se ladrões são nossos heróis! É muito provável que estejamos em um grupo de ladrões e não adianta dizer que não sabíamos. Até poderemos ser enganados uma ou duas vezes, mas sistematicamente nos “enganarmos” é ingenuidade “burra” ou sem-vergonhice mesmo.
Outro ditado popular muito sábio é de que “de boas intenções o inferno está cheio”. Neste caso quem tem um leque muito grande de boas intenções, que vai contemplar todas as áreas, que para tudo terá uma solução, ou é tão burro que “não sabe que não sabe” ou é um inescrupuloso enganador. É um discurso que merece reservas severas para se acreditar. As necessidades são infinitas e os recursos limitados. Há que se optar por prioridades.
O outro ditado bastante confiável, é que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Existem suspeitas, existem indícios e existem provas. E contra provas, não há argumentos. Se nós ignoramos provas concretas, ou mesmo uma série de indícios fortes, certamente somos um cego que não quer ver. Um fanático apaixonado, uma pessoa inútil em qualquer lugar do mundo. Fanáticos assim já ajudaram a matar muitos inocentes, até idosos e crianças, ao longo da história da humanidade. Em minha opinião, temos que nos policiar para ver se não estamos nos fanatizando. Se você realiza todos os dias várias postagens na net sobre sua agremiação política, ou não consegue passar uma hora sem tocar no assunto com alguém, se sente o sangue ferver por dentro, quando criticam o seu lado, se acha que o teu partido ou agremiação tem a exclusividade das boas intensões, da competência e da moral, você é um fanático. O pior é que o fanático perde a humildade de reconhecer o seu fanatismo e vai seguir pensando que é um grande iluminado que só ele consegue visualizar com sabedoria quando está cercado de outros seres ignorantes. Uma situação assim é muito grave. Uma verdadeira ameaça para a sociedade! E o pior de tudo é que este mal é muito contagioso. Um fanático fanatiza o outro, formam um grupo que reforça a doença dos membros e ainda passa ela adiante. Ainda não existe e não existirá vacina para isto. Pode ser prevenido, em primeiro lugar, por espírito desprendido, humildade e educação plural e verdadeira. Por aí dá para ter uma ideia de que a prevenção também não é fácil e a cura quase impossível. Por isto que em alguns lugares muitas autoridades ou pessoas também acometidas pelo mesmo mal acham que só abatendo algumas cabeças ou o rebanho todo pode acabar com a epidemia.
Outro ditado importante que meu pai me ensinou é que “onde tem fumaça tem fogo”! Pela minha experiência de vida este também se mostra muito verdadeiro, embora as vezes possa ser um fogo de palha, pouco importante, que já passa, ou um foguinho abafado, pequeno mas que fica minando por baixo e produzindo fumacinha... Mas gente, quando há uma fumaceira que não acaba mais e que dura muito tempo e que vira e mexe a fumaça aumenta com certeza tem um fogo grande. Quando começa a circular rumor e a cada semana tem que ficar explicando, desmentindo e volta a explicar, só “cego que não quer ver” acredita que nada haja.  Onde não há fogo não adianta botar lenha que a fogueira do nada não aparece. Quando o alarme de fogo é falso, logo se fica sabendo! Portanto desconfie das contínuas e intermináveis explicações dos candidatos tentando livrar o couro como diz o gaúcho, pois neste “mato tem coelho” com certeza.
“Para o bom entendedor meias palavras bastam”. Freud, através da psicologia explicou muitas coisas. Cometemos atos falhos, o corpo fala, as palavras dizem muito e mostram o nosso inconsciente. Observem de longe com isenção e vocês conseguirão muitas vezes entender onde os políticos e seu grupo querem chegar. Olhem bem nas mensagens subliminares das imagens das propagandas ou o pano de fundo das reuniões. Vão juntando detalhes aqui e detalhes ali e vocês vão descobrir a realidade sem que ela seja dita, basta que você  saiba perceber as sutilizas  e ir juntando uma ponta solta aqui, outra ali.
Outro ensinamento que dá para levar fé é que dificilmente as pessoas mudam em matéria de hábitos pessoais e de crenças. Portanto olhar o passado tem valor pedagógico, apesar de que muito pouca coisa que tenha acontecido no passado, poder ser impedimento para que as pessoas estejam juntas e sonhem. Podemos usar o passado como lição, mas não como fator impeditivo absoluto.  O passado já passou, o presente é um momento efêmero que já vira passado muito rápido. O importante é o futuro e quem pode prever com exatidão o futuro? Ninguém de sã consciência pode garantir que o futuro será assim ou assado. E o que mais tem na época da campanha é candidato prevendo o futuro caso o adversário ganhe! Não é de até o diabo ficar com pena de um povo que tenha uma campanha assim: Os candidatos não apresentam propostas claras e concretas e, portanto, não preveem como será seu próprio governo, mas são capazes de prever em detalhes como será ruim o governo do adversário.

Gente em eleições, como na vida, estamos correndo o trisco de acertar ou errar na escolha, mas talvez o mais importante mesmo seja o fato de poder escolher! Escolha de acordo com o seu entendimento não se deixe influenciar por cegos condutores de cegos. Talvez nem este texto deva ser levado em consideração, pois você é livre para pensar.  Ninguém é capaz de entrar dentro da cabeça do outro assumir o cérebro e entender porque o outro pensa daquela maneira.  Por isso respeito pelas opiniões alheias e uma boa dose de tolerância é muito necessário para a prática da democracia!
Orlando Vanin Trage
13 de outubro de 2014.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

É a tal de educação como é que fica?


            E a tal de Educação Como é Que Fica?

            A campanha política, a eleição e o pós-eleição, são momentos ímpares na vida das populações, principalmente das pequenas cidades, onde o calor e o furor da disputa são mais intensos. É quando muitas pessoas fazem uma pausa no respeito e nas boas maneiras que a vida civilizada requer (não vamos nem falar em educação que é um conceito bem mais amplo) e agem de forma desrespeitosa, chegando muitas vezes a casos extremos de estupidez e agressividade. Pessoas verdadeiramente educadas seguem uma linha de coerência e adotam sempre uma mesma postura. A violência e o desrespeito são fatos estranhos à verdadeira essência da política. A eleição deveria ser simplesmente a escolha criteriosa entre os diversos projetos de governo. E para escolher entre projetos há apenas que tratar de inteirar-se dos mesmos, escolher um deles e votar no candidato que o representa.

            Pois neste período, as pessoas deixam de lado a polidez e a cordialidade. Família e amizades são coisas sagradas que devem ser preservadas do embate político, acima de qualquer coisa, mas infelizmente muitas relações de parentesco e de amizades ficam estremecidas, pela total falta de sensibilidade de algumas pessoas para lidar com este período da vida da sociedade. Há também que preservar do envolvimento neste assunto as instituições como as escolas e as comunidades religiosas que deveriam manter-se neutras. Infelizmente tive conhecimento de professores, pseudo-professores no caso, que tentaram aliciar votos através dos alunos e que no pós-eleição desrespeitaram o momento difícil de dor das crianças cujos pais não foram eleitos, ao invés de acolhê-las e confortá-las, fizeram-nas vítimas indefesas de gozações e discriminação. Considero estas atitudes gravíssimas do ponto visto educacional e humanitário. Uma pessoa assim é um animal agindo movido por um instinto perverso, jamais um educador!   E o que dizer dos que querem misturar religião com política e das instituições que são públicas e que deveriam manter a devida isenção, porém acabam tornando-se verdadeiros focos de campanha dissimulada ou não. E o desrespeito entre os próprios colegas de trabalho que são a nossa segunda família, é injustificável! Precisamos urgentemente nos humanizar. Há pessoas agindo no período eleitoral de forma totalmente irracional.

            Nós somos responsáveis pelas futuras gerações e pelo comportamento político delas. Estamos ensinando a nossos filhos o voto consciente? A grande maioria infelizmente está ensinando o voto partidário e o voto por interesse. Temos índices de votos conscientes de causar vergonha. Um político honesto, bom gestor, com um bom plano de governo e boa equipe de trabalho corre um grande risco de perder a eleição para outros candidatos sem programa, ou que fazem campanhas milionárias, ou cujos discursos principais são a critica e os ataques pessoais. A falta de consciência do nosso eleitorado fica comprovada a ponto de termos que fazer uma lei para barrar os candidatos ficha suja!

             As pessoas se transformam com o clima eleitoral! Aplaudem os “bocas sujas” (os que dizem palavrões e fazem ataques pessoais, geralmente em tom acalorado) nos comícios, fazem vista grossa a violência moral e física, a calúnia e as inverdades desde que seja para beneficiar o candidato preferido. Tudo em nome de interesses que vão dos mais nobres aos mais mesquinhos e inconfessáveis. No fundo não é uma escolha de programas de governo. É uma luta esganiçada de interesses de grupos ou pessoas. Daí tanto empenho e tanta luta, deixando de lado o bom senso. É um total desvirtuamento dos meios e objetivos de uma eleição.

            As festas exageradas das vitórias parecem demonstrar que estão comemorando mais que a oportunidade de realizar um plano de governo. Estão a comemorar cargos, empregos, privilégios e outras benesses. E como muitos são pequenos na vitória.  Partem para uma interminável humilhação dos vencidos, através do deboche e da provocação. Queimam dinheiro com fogos de artifício, assustando nossos pobres cães com ouvidos tão sensíveis. De quatro em quatro anos temos aqui no Brasil eleições e tudo que o que for feito pode gerar troco no mesmo grau e intensidade. Há que se saber perder, mas importantíssimo é saber ganhar.  Os que hoje perderam foram os vitoriosos no passado. Os que são os vitoriosos do momento podem muito bem serem os grandes derrotados no futuro. Em muitos países o eleito rasga a ficha partidária num gesto simbólico de que governará para todos. A verdadeira comemoração deveria ser quando o nosso eleito deixar o governo com a missão cumprida. Algumas vezes houve tantas comemorações na eleição e posse e o eleito se transformou em total decepção, deixando o cargo totalmente desprestigiado.

            Até quando seguiremos fazendo eleições desvirtuadas, totalmente fora dos verdadeiros objetivos da política que é a busca do bem comum e com isso continuar perpetuando a miséria e a ignorância? Depende unicamente de nós! Pense, discuta, reflita, converse seriamente sobre este assunto com seus familiares, amigos e com todas as pessoas de suas relações. Vamos mudar esta realidade que não causa orgulho a ninguém!

Orlando Vanin Trage

Cirurgião Buco-Maxilo-Facial

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Qual é o preço moral de uma eleição?





Vitor e Gabriela























Qual é o preço de uma eleição?


Alegria é um município muito agradável para viver. Tem muitos problemas, mas também tem muita coisa boa. Foi lá que passei minha saudosa infância na companhia da minha família, conheci meus melhores amigos, estudei em escola pública e por questões profissionais tive que morar em outro lugar. É bonito e sem dúvida, é um ótimo lugar para passear, morar, tirar o sustento e para criar os filhos.

Passados alguns dias das eleições municipais em Alegria, já sem a influência das fortes emoções e sentimentos, independente do resultado, me vi envolto em uma conversa com a minha esposa Gabriela que me fez pensar.

Somos um casal jovem, e como muitos casais, pensamos em um dia ter nossos filhos. Os filhos nos trarão muita felicidade, mas também muita preocupação. Essa preocupação toda se agravou com tudo o que presenciei nesses meses de campanha eleitoral em todos os municípios. Sempre fui ensinado pelos meus pais a ter valores, a ter palavra, a ter caráter. Meus professores sempre ensinaram a honestidade, a bondade e a importância da confiança, da responsabilidade e do comprometimento para tentar fazer do mundo um lugar melhor. É isso que espero passar aos meus filhos.

Mas como todos já sabem, nada é melhor do que o exemplo. Fico pensando em como alguns pais e mães do município de Alegria irão ensinar aos seus filhos os melhores princípios e valores se eles vendem o seu voto, se eles mentem, se eles estabelecem de forma egoísta uma falsa relação de amizade e confiança apenas pensando em obter vantagens pessoais, geralmente financeiras. Não se importam se irão magoar, trair ou machucar. Não se importam com a honra e com a palavra. Não se importam se será bom para a comunidade, mas sim se será bom para eles, exclusivamente. Presenciei isso em pessoas de classes sociais diferentes, dentre elas pessoas com necessidades e pessoas dotadas de alto grau de instrução e de muito patrimônio e dinheiro. Todas com uma característica comum: a ausência do bom caráter.

Esses eleitores não podem andar de cabeça erguida e dizer: “eu escolhi a pessoa para dar o meu voto”, quando na verdade, ela que é olhada e algum candidato pensa:“esse é apenas mais um eleitor que eu comprei“.

Todas as pessoas que votaram e escolheram nossos representantes com a cabeça e o coração, abracem seu filho e diga que você fez o certo, que fez o melhor. Mas para todas essas pessoas que escolheram nossos representantes pelo medo, pela ameaça, pela promessa de um favor, por benefícios particulares ou pelo dinheiro, sinta vergonha e não deixe que seu filho lhe faça a infeliz pergunta: PAI, QUANTO VALE O MEU FUTURO? Afinal, o futuro dos seus filhos não tem preço!

Vitor Emanuel Trage

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais

Universidade de Passo Fundo


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Voto consciente?


         Voto Consciente?

          Acho que a nossa sociedade e a nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta. Acabamos de passar por eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo (não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de voto você deu nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante! Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros é preciso fazer o “mea culpa”.

          1º - Foi um voto consciente?

          2º - Foi um voto partidário?

          3º - Foi um voto de interesse pessoal?

          4º - Foi um voto sob ameaça?

          5º - Foi um voto de protesto?

          6º - Você votou em quem achou que iria vencer a eleição?

          O percentual do voto consciente varia de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota. Levando-se em consideração a atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira “inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam, portanto, que voto realmente consciente é um voto raro. Parabéns se você se encaixar dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos conscientes, teremos com certeza outra realidade.
          Se você foi um voto partidário, merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato: É do meu partido é bom, pensa este tipo de eleitor!). Será que o seu partido em todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
          Se você foi mais um dos muitos que pensou no interesse pessoal, você faz parte de uma triste estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do mandato. Se ele já pagou o seu voto o compromisso dele no contrato que implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que possa mudar esta realidade: Educação, educação!
          Se você votou cabresteado, oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham tido o mínimo respeito por você, pela sua liberdade pela sua capacidade de pensar e decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão, assaltaram você e roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a pressão.
          Se você foi um voto de protesto, se votou por raiva, uma vez passa, pois é direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar o futuro.
          Se você é dos que gostam sempre de estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu direito de dar um voto cidadão!
          Pelo visto acima, consciência, elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres humanos. Daí porque considero que estamos ainda distantes da verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem não se juntam muito bem. Temos que melhorar a educação neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira consciente em suas vidas de cidadãos.

Orlando Vanin Trage
Cirurgião-Buco-Maxilo-Facial

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conhecidos os Eleitos, comemorada a vitória, agora é hora refletir um pouco sobre como apaziguar o nosso município.


Pós-eleição: Convivendo com os escombros da “guerra”...

É grande a divisão que se estabelece nas comunidades, durante uma campanha eleitoral e se mantém mesmo passada a eleição. Em algumas localidades o processo eleitoral assume o modelo de uma verdadeira batalha, muitas vezes com disparos não só de discursos acalorados, mas de balas de verdade... O clima de divisão e de “ódio” perdura de forma traumática, gerando divisões altamente prejudiciais à vida social e ao desenvolvimento da comunidade. Ficam as alas dos vencidos e vencedores, uma alimentando ódio contra a outra, trocando acusações e “caçando as bruxas” para saber quem votou em quem. Enquanto os vencedores comemoram, os vencidos passam por um período de não aceitação do resultado e buscam, algumas vezes, nas medidas judiciais o milagre que possa reverter o resultado que não lhes foi favorável nas urnas. É mais uma etapa da luta e do sofrimento emocional que vai até a posse do eleito, quando então começa o eterno duelo: situação x oposição.

Poderia ser diferente? Certamente que sim! Precisamos fazer as campanhas eleitorais de outra forma, cabendo esta responsabilidade aos políticos e a sociedade. Os políticos precisam apresentar propostas claras sobre o futuro governo, e os eleitores não devem fazer suas escolhas baseados apenas nos nomes dos candidatos ou dos partidos que eles representam, sonegando o espaço para as propostas, na medida em que saem logo exteriorizando as escolhas, através de toda a sorte de adesivos, bandeiras, manifestações verbais. Costumeiramente alguns assumem o apoio a um dos lados sem ouvir os demais, (por proximidade com aquele candidato, pelo fato de ele representar a grei partidária ou a garantia de emprego, etc.). Um voto realmente consciente não deveria primeiro ouvir todos os lados?

Certamente que cada país/município tem as suas peculiaridades que precisam ser respeitadas. Um cidadão holandês manifestou-me sua absoluta surpresa pelo fato de nós manifestarmos publicamente as nossas escolhas, avalizando para outras pessoas alguém que, afinal de contas, talvez nem conheçamos. Na Holanda é costume a campanha ser feita apenas pelos candidatos, seus familiares, membros dos partidos e alguns cabos eleitorais. A maioria da população não exterioriza apoio a este ou aquele candidato, respeitando a capacidade do outro de formar suas próprias opiniões. Elas comparecem às reuniões políticas e ouvem as propostas de governo de todos os candidatos, geralmente levando papel e caneta para fazer anotações das colocações mais importantes e assim, de forma silenciosa, decidem em quem votarão. Passada a eleição, existe uma proposta vencedora que contemplará a maioria, e não se vêem vencidos nem vencedores. Não haverá pessoas soltando bombas em cima dos vizinhos, e o eleito, governa para todos, pois não distingue amigos de opositores.

Será que um dia também conseguiremos fazer eleições sem transformá-las numa guerra, podendo votar ou até mesmo sermos candidatos, sem ficarmos inimigos de ninguém? Estamos em uma democracia! Temos o direito de discordar até mesmo das pessoas por quem temos respeito e simpatia, convivendo com as diferenças, sem fazer destas um obstáculo a solução dos problemas coletivos. Aí quem sabe possamos votar no domingo cedinho, ir para casa tomar chimarrão com a família e desfrutar de um belo dia de lazer e de verdadeira cidadania!

          Alegria, 08 de Outubro de 2012

                    Orlando Vanin Trage

                    Cirurgião-Buco-Maxilo-facial