Pelo que ouço das pessoas e leio no blog educalegria do meu amigo Pedro Ivo não haverá mais consenso em Alegria para 2012, uma vez que já temos pelo menos dois, senão três candidatos a prefeito. O Consenso foi uma idéia que precisou ser muito trabalhada. Agora temos que ir visualizando como ficará o cenário sem o consenso. Um aspecto que eu, como ex-presidente de partido e portando responsável e participante de ponta de campanhas eleitorais em nosso município, vejo como muito positivo do consenso foi evitar a grande divisão que se estabelece na comunidade, durante uma campanha eleitoral e se mantém mesmo passada a eleição. Em nosso município o processo eleitoral disputado entre dois ou mais candidatos, assume o modelo de uma verdadeira batalha, muitas vezes com disparos não só de discursos acalorados, mas de balas de verdade... O clima de divisão e de “ódio” perdura de forma traumática, gerando divisões altamente prejudiciais à vida social e ao desenvolvimento da comunidade. É o Pós-eleição e a convivência com os escombros da “guerra”. Ficam as alas dos vencidos e vencedores, uma alimentando ódio contra a outra, trocando acusações e “caçando as bruxas” para saber quem votou em quem. Enquanto os vencedores comemoram, os vencidos passam por um período de não aceitação do resultado e buscam, algumas vezes, nas medidas judiciais o milagre que possa reverter o resultado que não lhes foi favorável nas urnas. É mais uma etapa da luta e do sofrimento emocional que vai até a posse do eleito, quando então começa o eterno duelo: situação x oposição. E durante os primeiros dois anos se alguma coisa não vai bem é culpa do antecessor.
Se não houver mais consenso passaremos por isto novamente ou pode ser diferente? Certamente que sim! Precisamos fazer as campanhas eleitorais de outra forma, cabendo esta responsabilidade aos políticos e a sociedade. Os políticos precisam apresentar propostas claras sobre o futuro governo, e os eleitores não devem fazer suas escolhas baseados apenas nos nomes dos candidatos ou dos partidos que eles representam, sonegando o espaço para as propostas, na medida em que saem logo exteriorizando as escolhas, através de toda a sorte de adesivos, bandeiras, manifestações verbais. Costumeiramente alguns assumem o apoio a um dos lados sem ouvir os demais, (por proximidade com aquele candidato, pelo fato de ele representar a grei partidária ou a garantia de emprego, etc.). Um voto realmente consciente não deveria primeiro ouvir todos os lados?
Certamente que cada município tem as suas peculiaridades que precisam ser respeitadas. Um cidadão holandês manifestou-me sua absoluta surpresa pelo fato de nós aqui no Brasil manifestarmos publicamente as nossas escolhas de candidaturas, avalizando para outras pessoas alguém que, afinal de contas, talvez nem conheçamos e quem sabe pagaremos um mico lá adiante. Na Holanda é costume a campanha ser feita apenas pelos candidatos, seus familiares, membros dos partidos e alguns cabos eleitorais. A maioria da população não exterioriza apoio a este ou aquele candidato, respeitando a capacidade do outro de formar suas próprias opiniões. Elas comparecem às reuniões políticas e ouvem as propostas de governo de todos os candidatos, geralmente levando papel e caneta para fazer anotações das colocações mais importantes e assim, de forma responsável e silenciosa, decidem em quem votarão. Passada a eleição, existe uma proposta vencedora que contemplará a maioria, e não se vêem vencidos nem vencedores. Não haverá pessoas soltando bombas em cima dos vizinhos, e o eleito, governa para todos, pois não distingue amigos de opositores.
Será que um dia, em não existindo mais consenso, também conseguiremos fazer eleições em Alegria sem transformá-las numa guerra, podendo votar ou até mesmo sermos candidatos, sem ficarmos inimigos de ninguém? Estamos em uma democracia! Temos o direito de discordar até mesmo das pessoas por quem temos respeito e simpatia, convivendo com as diferenças, sem fazer destas um obstáculo a solução dos problemas coletivos. Aí quem sabe possamos votar no domingo cedinho, ir para casa tomar chimarrão com a família e desfrutar de um belo dia de lazer e de verdadeira cidadania!
Alegria, 02 de maio de 2011
Orlando Vanin Trage
Cirurgião-dentista