quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Qual é o preço moral de uma eleição?





Vitor e Gabriela























Qual é o preço de uma eleição?


Alegria é um município muito agradável para viver. Tem muitos problemas, mas também tem muita coisa boa. Foi lá que passei minha saudosa infância na companhia da minha família, conheci meus melhores amigos, estudei em escola pública e por questões profissionais tive que morar em outro lugar. É bonito e sem dúvida, é um ótimo lugar para passear, morar, tirar o sustento e para criar os filhos.

Passados alguns dias das eleições municipais em Alegria, já sem a influência das fortes emoções e sentimentos, independente do resultado, me vi envolto em uma conversa com a minha esposa Gabriela que me fez pensar.

Somos um casal jovem, e como muitos casais, pensamos em um dia ter nossos filhos. Os filhos nos trarão muita felicidade, mas também muita preocupação. Essa preocupação toda se agravou com tudo o que presenciei nesses meses de campanha eleitoral em todos os municípios. Sempre fui ensinado pelos meus pais a ter valores, a ter palavra, a ter caráter. Meus professores sempre ensinaram a honestidade, a bondade e a importância da confiança, da responsabilidade e do comprometimento para tentar fazer do mundo um lugar melhor. É isso que espero passar aos meus filhos.

Mas como todos já sabem, nada é melhor do que o exemplo. Fico pensando em como alguns pais e mães do município de Alegria irão ensinar aos seus filhos os melhores princípios e valores se eles vendem o seu voto, se eles mentem, se eles estabelecem de forma egoísta uma falsa relação de amizade e confiança apenas pensando em obter vantagens pessoais, geralmente financeiras. Não se importam se irão magoar, trair ou machucar. Não se importam com a honra e com a palavra. Não se importam se será bom para a comunidade, mas sim se será bom para eles, exclusivamente. Presenciei isso em pessoas de classes sociais diferentes, dentre elas pessoas com necessidades e pessoas dotadas de alto grau de instrução e de muito patrimônio e dinheiro. Todas com uma característica comum: a ausência do bom caráter.

Esses eleitores não podem andar de cabeça erguida e dizer: “eu escolhi a pessoa para dar o meu voto”, quando na verdade, ela que é olhada e algum candidato pensa:“esse é apenas mais um eleitor que eu comprei“.

Todas as pessoas que votaram e escolheram nossos representantes com a cabeça e o coração, abracem seu filho e diga que você fez o certo, que fez o melhor. Mas para todas essas pessoas que escolheram nossos representantes pelo medo, pela ameaça, pela promessa de um favor, por benefícios particulares ou pelo dinheiro, sinta vergonha e não deixe que seu filho lhe faça a infeliz pergunta: PAI, QUANTO VALE O MEU FUTURO? Afinal, o futuro dos seus filhos não tem preço!

Vitor Emanuel Trage

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais

Universidade de Passo Fundo


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Voto consciente?


         Voto Consciente?

          Acho que a nossa sociedade e a nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta. Acabamos de passar por eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo (não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de voto você deu nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante! Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros é preciso fazer o “mea culpa”.

          1º - Foi um voto consciente?

          2º - Foi um voto partidário?

          3º - Foi um voto de interesse pessoal?

          4º - Foi um voto sob ameaça?

          5º - Foi um voto de protesto?

          6º - Você votou em quem achou que iria vencer a eleição?

          O percentual do voto consciente varia de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota. Levando-se em consideração a atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira “inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam, portanto, que voto realmente consciente é um voto raro. Parabéns se você se encaixar dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos conscientes, teremos com certeza outra realidade.
          Se você foi um voto partidário, merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato: É do meu partido é bom, pensa este tipo de eleitor!). Será que o seu partido em todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
          Se você foi mais um dos muitos que pensou no interesse pessoal, você faz parte de uma triste estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do mandato. Se ele já pagou o seu voto o compromisso dele no contrato que implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que possa mudar esta realidade: Educação, educação!
          Se você votou cabresteado, oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham tido o mínimo respeito por você, pela sua liberdade pela sua capacidade de pensar e decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão, assaltaram você e roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a pressão.
          Se você foi um voto de protesto, se votou por raiva, uma vez passa, pois é direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar o futuro.
          Se você é dos que gostam sempre de estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu direito de dar um voto cidadão!
          Pelo visto acima, consciência, elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres humanos. Daí porque considero que estamos ainda distantes da verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem não se juntam muito bem. Temos que melhorar a educação neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira consciente em suas vidas de cidadãos.

Orlando Vanin Trage
Cirurgião-Buco-Maxilo-Facial

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conhecidos os Eleitos, comemorada a vitória, agora é hora refletir um pouco sobre como apaziguar o nosso município.


Pós-eleição: Convivendo com os escombros da “guerra”...

É grande a divisão que se estabelece nas comunidades, durante uma campanha eleitoral e se mantém mesmo passada a eleição. Em algumas localidades o processo eleitoral assume o modelo de uma verdadeira batalha, muitas vezes com disparos não só de discursos acalorados, mas de balas de verdade... O clima de divisão e de “ódio” perdura de forma traumática, gerando divisões altamente prejudiciais à vida social e ao desenvolvimento da comunidade. Ficam as alas dos vencidos e vencedores, uma alimentando ódio contra a outra, trocando acusações e “caçando as bruxas” para saber quem votou em quem. Enquanto os vencedores comemoram, os vencidos passam por um período de não aceitação do resultado e buscam, algumas vezes, nas medidas judiciais o milagre que possa reverter o resultado que não lhes foi favorável nas urnas. É mais uma etapa da luta e do sofrimento emocional que vai até a posse do eleito, quando então começa o eterno duelo: situação x oposição.

Poderia ser diferente? Certamente que sim! Precisamos fazer as campanhas eleitorais de outra forma, cabendo esta responsabilidade aos políticos e a sociedade. Os políticos precisam apresentar propostas claras sobre o futuro governo, e os eleitores não devem fazer suas escolhas baseados apenas nos nomes dos candidatos ou dos partidos que eles representam, sonegando o espaço para as propostas, na medida em que saem logo exteriorizando as escolhas, através de toda a sorte de adesivos, bandeiras, manifestações verbais. Costumeiramente alguns assumem o apoio a um dos lados sem ouvir os demais, (por proximidade com aquele candidato, pelo fato de ele representar a grei partidária ou a garantia de emprego, etc.). Um voto realmente consciente não deveria primeiro ouvir todos os lados?

Certamente que cada país/município tem as suas peculiaridades que precisam ser respeitadas. Um cidadão holandês manifestou-me sua absoluta surpresa pelo fato de nós manifestarmos publicamente as nossas escolhas, avalizando para outras pessoas alguém que, afinal de contas, talvez nem conheçamos. Na Holanda é costume a campanha ser feita apenas pelos candidatos, seus familiares, membros dos partidos e alguns cabos eleitorais. A maioria da população não exterioriza apoio a este ou aquele candidato, respeitando a capacidade do outro de formar suas próprias opiniões. Elas comparecem às reuniões políticas e ouvem as propostas de governo de todos os candidatos, geralmente levando papel e caneta para fazer anotações das colocações mais importantes e assim, de forma silenciosa, decidem em quem votarão. Passada a eleição, existe uma proposta vencedora que contemplará a maioria, e não se vêem vencidos nem vencedores. Não haverá pessoas soltando bombas em cima dos vizinhos, e o eleito, governa para todos, pois não distingue amigos de opositores.

Será que um dia também conseguiremos fazer eleições sem transformá-las numa guerra, podendo votar ou até mesmo sermos candidatos, sem ficarmos inimigos de ninguém? Estamos em uma democracia! Temos o direito de discordar até mesmo das pessoas por quem temos respeito e simpatia, convivendo com as diferenças, sem fazer destas um obstáculo a solução dos problemas coletivos. Aí quem sabe possamos votar no domingo cedinho, ir para casa tomar chimarrão com a família e desfrutar de um belo dia de lazer e de verdadeira cidadania!

          Alegria, 08 de Outubro de 2012

                    Orlando Vanin Trage

                    Cirurgião-Buco-Maxilo-facial