Considerações
sobre a crise atual do nosso país
Poucas pessoas tem paciência para ler
textos grandes de opinião. Perdoem-me os impacientes, mas receio que a situação
do país não poderá neste momento sofrer uma análise mínima sem que se tenha que
discorrer várias laudas.
Ninguém vive isolado e estou rodeado de
várias pessoas, familiares, amigos, colegas de trabalho, pacientes e a grande
maioria está perplexa e indignada com o momento atual da economia e da política
do nosso país. Eu diria que a angústia está tomando conta do ânimo da nossa
gente.
Há tempos atrás tive militância política
ativa. Hoje estou afastado, mas não indiferente. “O preço a ser pago pelos que
se omitem e não gostam de política é ser governado pelos corruptos e pelos
incompetentes”, disse alguém que não recordo o nome. Na minha juventude aprendi
dos meus pais que o mais educado devia se calar. Hoje acho que deve ser assim,
desde que o silêncio não signifique conivência nem omissão. Agora com a
responsabilidade de escritor e da maturidade principalmente, estou escrevendo a
pedido de muitas pessoas que estão “desassossegadas” com todo este bombardeio
de informações e boatos que circulam de boca em boca, na imprensa e nas redes
sociais. Na opinião delas tenho o necessário equilíbrio para escrever algo
útil. Sou humilde o suficiente para não ter a presunção de que poderei
contribuir com muita coisa. Por favor, um aviso para os que tiverem a paciência
de ler, é só o meu ponto de vista, baseado na reflexão que fiz sobre as
informações que possuo.
Estamos completando cem anos do início da
primeira guerra mundial que só ocorreu porque além dos países inicialmente
envolvidos no conflito muitos líderes pelo mundo todo permitiram que acontecesse
por falta de empenho em cortar o mal pela raiz. Com a segunda guerra foi a
mesma coisa. Uma sucessão de equívocos lamentáveis!
Vejo com preocupação muitas análises
apaixonadas e tendenciosas, revanchismo e mesmo muitas pessoas irresponsavelmente
torcendo pelo pior e outras ainda fazendo provocações. Para que se possa fazer
uma análise mais próxima da realidade e é isto que precisamos, temos que nos
afastar do viés ideológico. Para vocês terem uma ideia de como esta percepção
ideológica e fora da realidade é muito perigosa, pois cega completamente as
pessoas, coloco aqui o exemplo daquela jovem alemã encarregada de limpar as
casas dos judeus levados aos campos de concentração e mortos pelo regime
nazista. Ela sabia que os antigos habitantes das casas seriam mortos e, no
entanto preparava as casas com muito amor, ajeitando os móveis, colocando
vasinhos de flores nas janelas para receber os colonos alemães que ali viriam
habitar. Esta moça, hoje uma senhora, com quase noventa anos, confessou que
chorou muito quando Hitler perdeu a guerra, que viu acabar o seu mundo
particular de sonhos e precisou ainda de dez anos, vejam bem, dez anos! Para
enxergar a loucura e a insensatez de seu líder. Hoje não consegue entender como
pode aceitar aquilo. O fanatismo é o sentimento humano que mais ajudou a matar
pessoas, ainda mata e vai continuar matando, ou fazendo muitos estragos. Nem
vamos entrar neste capítulo sangrento.
Portanto,
para uma análise razoavelmente isenta, precisamos afastar a paixão, deixar de
lado aquilo que gostaríamos que fosse, mas não é! E analisarmos somente os
fatos. Contra fatos não há argumentos, já dizia meu saudoso pai. Aconteceram e
continuam acontecendo fatos gravíssimos em nosso país, mas não estamos a perigo
somente pelo que aconteceu de muito grave até aqui: carteis, mensalão, petrolão,
mas sim pela falta de humildade dos nossos governantes em reconhecer os erros
que foram cometidos na economia e na política. Precisamos de uma “presidenta”
que olhe para a nação e não para o próprio umbigo e para o próprio partido. Os
fatos mostram a presidente agindo somente nesta direção. Este é o nosso
verdadeiro e principal problema.
O
que está deixando a maioria da nossa população angustiada e desesperançada é uma
percepção cada vez maior da falta de sintonia do governo com seu povo. O
governo tenda fugir da responsabilidade. Como presidente da república até
poderíamos entender que Dilma não soubesse do esquema na Petrobrás, mas como
Presidente do conselho da estatal durante boa parte do tempo em que as coisas
aconteceram é difícil acreditarmos que uma pessoa competente, inteligente,
responsável não soubesse de nada. Então podemos concluir que no mínimo ela foi
incompetente num grau inadmissível para quem quer governar o país. Este é um
fato e há alguma outra forma razoável de interpretá-lo? Aí ela vai para a
imprensa a poucos dias e diz que isto deveria ter sido investigado lá atrás,
durante o período do presidente anterior a era Lula, o presidente Fernando
Henrique. O PT na oposição queria CPI para tudo e foram muitas. Aqui vamos ser
justos os papéis se inverteram: Quem antes queria CPI e esforçava-se para que
elas não virassem pizzas, agora não quer, e boicota tudo. Já os que antes não
queriam e boicotavam, agora botam a boca no trombone e fazem uma barulheira
infernal. Outro fato, nenhum partido no
governo teve tanto tempo para investigar como este que já ocupa o poder a mais
de 12 anos.
Eu
acho que só os apaixonados pela ideologia no poder, acham muito natural passar
por cima de um princípio jurídico básico para justificar os desmandos. A de que
sempre houve corrupção e por isto estaria tudo justificado. A culpa de outros
não é de forma nenhuma atenuante, nem justifica a nossa culpa. Ao usar este
argumento, estas pessoas estão admitindo a corrupção como fato inevitável e nos
passam a ideia de que ela irá continuar! Com isto não podemos concordar!
A
maioria da população quer o fim da corrupção. Só é contra e acha inúmeras
justificativas aqueles se se beneficiam dela, nem que seja só a gratificação
emocional de ver o seu partido no poder. O que houve no passado não se pode
mudar, mas queremos daqui para frente a garantia de que esta situação que está
espoliando o Brasil não continue e de que haja punições e ressarcimentos. A
maior punição é a retomada dos valores indevidamente conquistados.
Eu
estudei um pouco a cartilha da propaganda nazista e identifiquei muitas regras
sendo seguidas aqui. Deixo uma pergunta, alguém teria estudado esta cartilha
pelo lado de cá do oceano Atlântico e achado alguma coisa útil? Desmoralizar
adversários, através de busca ao passado e se nada for encontrado, usa-se até
de má fé mesmo! Olha a tentativa forte e sistemática de tentar desmoralizar o
sr. Joaquim Barbosa, relator do mensalão e para alguns forte candidato a
presidência nas próximas eleições. Há também até mesmo algumas tentativas de
desmoralizar o Juiz Moro do Paraná. São táticas condenáveis. Outras normas da
cartilha nazista é embaralhar tudo, tentando fazer parecer que todos são
“farinha do mesmo saco” e negar, negar e negar, refutando fatos incriminadores para
confundir os mais incautos. Que cada um assuma, os seus erros e saiba também
reconhecer os acertos dos demais. Vamos aqui ser justos, não é um único partido
que está envolvido. Não é só o PT. É toda a estrutura de poder, PMDB, PP, etc.
São vários partidos, empresários, e também uma boa parcela do congresso. Corrupção
sempre houve! Provavelmente seja verdade, mas o recebimento de quantias enormes
indevidas, de forma sistemática e continuada para financiar alguns partidos e as
forças políticas no poder da república parece ser coisa de um pouco depois do
ano 2000. E também seja dito, não é só na união que temos problemas de
corrupção. Ela existe em muitos estados e municípios e em muitas outras
empresas estatais.
Para piorar ainda mais o nosso congresso
nacional, também está voltado para seu umbigo e não está respondendo aos
anseios da população. Ainda esta semana a Câmara Federal, decepcionou o povo
brasileiro com a aprovação de mais passagens aéreas para as esposas dos
deputados e aumento da verba de custeio dos legisladores. O que vocês acham meu
povo, seria uma leviandade levantarmos a suspeita de que com estas medidas o
atual presidente da câmara estaria pagando promessa a muitos de seus eleitores
para a presidência da casa? Há também a
decepção com uma parcela do judiciário, basta ver o caso do juiz andando com o
carro apreendido do réu Eike Batista. Absurdo, inadmissível.
Os
mais pacíficos cidadãos estão vendo que a única forma que os políticos ouvem é quando
o povo vai para a rua. A ninguém interessa a desordem e o caos, mas o governo e
mesmo o congresso não estão dando as respostas aos anseios da população. Será
que é muito difícil perceber pelo menos o que o nosso povo não quer. De uma
forma geral, é mais difícil saber o que se quer, mas sempre temos muito claro o
que não se quer.
O
país não quer a volta da inflação. Será que o governo fez o seu dever de casa
para evita-la? Com a idade que tenho e como ex-funcionário de banco lembro
muito bem da época da inflação que corroía as rendas e impossibilitava um
planejamento de médio e longo prazo. Quem mais paga a conta da inflação são os
mais pobres. Todos entendem a volta da inflação como uma coisa extremamente
nociva para a sociedade. Seria uma das piores coisas a nos acontecer! Há
aproximadamente 20 anos atrás a inflação no Brasil chegou a cerca de 3.000% ao
ano. Temos muitos jovens que não se lembram da inflação, mas muitas pessoas tem
isto bem vivo na memória. Não queremos de forma nenhuma que seja abandonada a
meta da inflação de 4,5% ao ano.
Não
queremos ver o governo subir impostos para resolver os seus problemas de caixa.
Qualquer cidadão sabe que se estiver gastando fora do seu orçamento tem que
reduzir gastos, ou a situação vai se tornar insustentável. A Presidente
(escrevo assim porque é a grafia correta) deve fazer o que tem que ser feito,
mesmo que não seja a promessa de campanha. Hoje no papel de gerente deste país,
tem que tomar as medidas necessárias, mesmo que impopulares. O povo até
compreende e está preparado para estas medidas. O que trás indignação é o
governo não agir e a situação ir se deteriorando cada vez mais. Quanto
contraste entre a situação que a então candidata apresentava em suas inserções
de publicidade paga com dinheiro de origem duvidosa e a situação que hoje ela
precisa administrar.
Não
desejamos presentinhos como decretos lei, que criam leis contrárias a vontade
do nosso povo. Chega de medidas, estatutos e falatório que nos dividem entre
ricos e pobres, entre pretos, brancos e índios. Novamente olhando os fatos, alguns
estatutos criados pelo governo, praticamente passam um atestado de desigualdade
social. Somos iguais e, portanto, se apliquem as mesmas leis para todos os
cidadãos. Os únicos que reconhecemos que necessitam de proteção especial são os
portadores de necessidades especiais. Louvável a medida que criou cotas no
trabalho, nos concursos e no ensino.
Outra
situação que não desejamos é ver a política externa deste governo apoiando
governos ditatoriais. Dá para perceber e isto é um fato muito preocupante, uma
grande simpatia do atual governo do nosso país por aqueles governos que se
perpetuam indefinidamente no poder: Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba. Seria
insano eu pensar que estes governos estejam sendo vistos com alguma inveja
pelos nossos governantes? Diante da simpatia visível me parece um pensamento
bastante lógico. Perdoem-me os que haverão de discordar da afirmação anterior! Não
há nenhuma manifestação oficial do governo brasileiro sobre a situação da
Venezuela que é gravíssima. O presidente Lula vinha surfando tranquilo em sua
política externa, dizem que até sonhava em ser o secretário geral da ONU, até
que se envolveu na crise da Guatemala e daí para frente deu uma perigosa
guinada e perdeu prestígio nitidamente. Até o assessor jurídico do PT afirmou
que na época a Guatemala estava cumprindo com sua constituição. E ainda mais, o
nosso governo se recusava aceitar uma eleição democrática que ocorreu na
Guatemala depois. Cada país tem suas leis e concordando ou não temos que
aceita-las. Quando viajo a um país, sei que preciso me submeter as leis locais.
Não há como ser de outra forma! Recentemente me parece ter havido inclusive o
reconhecimento pessoal da presidente de que teria dado uma ajuda de 800 milhões
de dólares a Cuba, além do acordo secreto que financiou grandes obras na ilha
para ajuda-la a se tornar viável economicamente. Porque nós brasileiros não
podemos saber o que é feito com o nosso dinheiro nestes empréstimos do BNDES no
exterior. Qual a justificativa para isto? Talvez seja de que não há
justificativa para tais empréstimos. As
pessoas podem ter as suas simpatias pessoais e suas convicções, mas não devem
pagar por isso com o dinheiro dos outros, no caso o nosso dinheiro.
Ninguém
de sã consciência deseja destituir o governo do poder, mas para isso é
necessário que este mostre firmeza de atitude. O novo ministro da fazenda
Joaquim Levi, tem credibilidade pessoal para começar a dar jeito na casa, mas é
preciso que seja apoiado, coisa que parece que não tem acontecido. Inclusive o
próprio partido no poder não vê este ministro com muita simpatia.
Presidente
Dilma, não pense em si e no seu partido. Imagine que a senadora Marta Suplici
já veio a público dizendo que o Ministro Mercadante é o futuro candidato da
presidente Dilma para a sucessão daqui a quatro anos e que a disputa com o
ex-presidente Lula já está em andamento. Presidente! Tenha a santa paciência!
Esta é hora de pensar no país e não em sucessão presidencial. Isto é um fato e
demonstra um apego ao poder que não dá para entender. Numa democracia é normal
e saudável uma alternância no poder.
A luta da presidente está se mostrando que não
será fácil, agora que até alguns membros do seu partido estão se voltando
contra ela, pois, segundo o Financial Times de Londres, a estão vendo como
“intrusa e oportunista”. Com os escândalos da Petrobrás, o pessimismo do
mercado diante do governo só aumenta.
Fica o registro de que muitos
brasileiros estavam dispostos a perdoar o aumento da inflação e do crescimento
econômico baixo porque tinham seus empregos garantidos, mas que agora quando se
depararem com grandes dificuldades de se manterem no mercado de trabalho, devido
a retração da economia que deverá ter redução de 0,5% este ano, deverão
engrossar o coro dos que puxam a popularidade presidencial para baixo. Há
também um contingente grande de jovens que saíram da universidade graças ao
aumento das oportunidades para o curso superior, criadas pelo governo do PT
(fato muito positivo) e que agora se veem diante da frustração de não poderem
atuar nas suas áreas de formação. Isto fará a popularidade do governo despencar
ainda mais no curto e médio prazo.
Presidente Dilma, o que esperamos é ação
do governo para enfrentamento desta crise que já chegou e tende a agravar-se.
Se forem necessárias muitas das medidas que a Sra. disse em campanha que o
Aécio faria, se for para o bem do Brasil faça, tenha a humildade fazer, se for
para o bem geral da nação. O povo até irá perdoá-la por isto, pois sentirá que
trabalha pelo país. Coisa que não fica muito claro por enquanto. Dá para
aceitar até que o preço dos combustíveis no Brasil já subiram e subirão ainda mais,
enquanto estão baixando bastante no resto do mundo. O ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso foi criticado duramente pelo seu partido pelos apagões durante
o governo dele. O PT dizia que havia faltado planejamento. Agora no seu governo
estamos até dispostos a aceitar como desculpa a falta de chuva mesmo, como azar
(não existe precedente histórico de tanta falta de chuva por um período tão
grande!), mas desejamos que a senhora aja em sintonia com os anseios da
população.
O povo brasileiro precisa ter serenidade e
unir-se em torno de alguém que represente a esperança de novamente viver dias
melhores. Se a nossa presidente, por limitações diversas, não representar esta
esperança, será atropelada pela história, o que ninguém deseja. A nação precisa
de um governo de maioria e para a maioria da população, porém é necessário ter
um olhar especial, acolhedor e protetor das minorias. Eu mesmo me senti excluído
quando ouvi a presidente dizendo que faria um governo para as mulheres, para os
pobres e para os negros. E eu onde fico? Gostaria de ter ouvido que ela faria
um governo para os aposentados também, pelo menos me incluiria em alguma coisa.
Estes contribuíram a vida inteira e quando estão idosos e fragilizados e já não
tem alternativa, são tratados com um aumento abaixo da inflação. Você que hoje não
se preocupa com aposentadoria um dia, se tudo correr bem com sua saúde, chegará
sua vez e então verá como é triste ser esquecido pelo governo do seu país,
quando você mais precisa dele.
Para finalizar um fato, gravíssimo. Vejam
bem é um fato. Ficou evidenciada a submissão do congresso nacional ao executivo
no episódio da derrubada do cumprimento da meta fiscal do ano passado para que
a presidente se visse livre de não ter cumprido a lei orçamentária. Não que eu
desejasse uma brecha legal para o impedimento da Presidente, mas pela gravidade
do fato em si. Olhei os votos dos nossos deputados e senadores. Vi vários votos
incoerentes entre o discurso e a prática, especialmente de um então deputado do
PP que sempre veio aqui “roncar grosso”, falar mal do governo federal e que
votou com o governo, sem nenhuma coerência e justificativa. Este fato pode ser
tomado como um indício muito forte de negociatas no congresso para garantir a
base aliada. Portanto o Congresso nacional, não está com esta bola toda. A
imagem da Câmara e do senado está muito negativa. Não bastasse as passagens aéreas para as mulheres agora o presidente da câmara anuncia obras milionárias na casa, numa época que todos deveriam economizar. E agora na instalação da 3ª CPI da Petrobrás está foi instalada com o presidente e relator que foram os parlamentares que mais receberam doações das empresas da operação lava jato. Se é assim será total perda de tempo. absurdo total. Como disse agora a pouco um amigo: Raposa cuidando de galinheiro. Inadmissível! Está na hora dos nobres
deputados e senadores também fazerem o dever de casa. Queremos um congresso
responsável, independente e autodeterminado e não um congresso submisso aos
caprichos do executivo. O povo deseja que sejam votadas as reformas necessárias
ao país, independente de que partido ou deputado veio a boa ideia. Chega de
marasmo e lentidão no congresso. Todos ali são bem pagos e bem assessorados para
trabalhar. O congresso tem grande
parcela de culpa em toda esta situação do país.
Vamos aguardar as manifestações que com
certeza haverão de acontecer, mas que sejam ordeiras e pacíficas e sem
infiltrações de radicais seja de que lado for. Acho que temos que protestar contra esta câmara dos deputados também, não só contra o executivo federal, pois os deputados estão passando dos limites! Se o governo tomar as medidas
necessárias, vamos nos municiar de paciência que, segundo as previsões, dentro
de dois anos voltaremos a crescer e tudo terminará bem.
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