segunda-feira, 5 de novembro de 2012

É a tal de educação como é que fica?


            E a tal de Educação Como é Que Fica?

            A campanha política, a eleição e o pós-eleição, são momentos ímpares na vida das populações, principalmente das pequenas cidades, onde o calor e o furor da disputa são mais intensos. É quando muitas pessoas fazem uma pausa no respeito e nas boas maneiras que a vida civilizada requer (não vamos nem falar em educação que é um conceito bem mais amplo) e agem de forma desrespeitosa, chegando muitas vezes a casos extremos de estupidez e agressividade. Pessoas verdadeiramente educadas seguem uma linha de coerência e adotam sempre uma mesma postura. A violência e o desrespeito são fatos estranhos à verdadeira essência da política. A eleição deveria ser simplesmente a escolha criteriosa entre os diversos projetos de governo. E para escolher entre projetos há apenas que tratar de inteirar-se dos mesmos, escolher um deles e votar no candidato que o representa.

            Pois neste período, as pessoas deixam de lado a polidez e a cordialidade. Família e amizades são coisas sagradas que devem ser preservadas do embate político, acima de qualquer coisa, mas infelizmente muitas relações de parentesco e de amizades ficam estremecidas, pela total falta de sensibilidade de algumas pessoas para lidar com este período da vida da sociedade. Há também que preservar do envolvimento neste assunto as instituições como as escolas e as comunidades religiosas que deveriam manter-se neutras. Infelizmente tive conhecimento de professores, pseudo-professores no caso, que tentaram aliciar votos através dos alunos e que no pós-eleição desrespeitaram o momento difícil de dor das crianças cujos pais não foram eleitos, ao invés de acolhê-las e confortá-las, fizeram-nas vítimas indefesas de gozações e discriminação. Considero estas atitudes gravíssimas do ponto visto educacional e humanitário. Uma pessoa assim é um animal agindo movido por um instinto perverso, jamais um educador!   E o que dizer dos que querem misturar religião com política e das instituições que são públicas e que deveriam manter a devida isenção, porém acabam tornando-se verdadeiros focos de campanha dissimulada ou não. E o desrespeito entre os próprios colegas de trabalho que são a nossa segunda família, é injustificável! Precisamos urgentemente nos humanizar. Há pessoas agindo no período eleitoral de forma totalmente irracional.

            Nós somos responsáveis pelas futuras gerações e pelo comportamento político delas. Estamos ensinando a nossos filhos o voto consciente? A grande maioria infelizmente está ensinando o voto partidário e o voto por interesse. Temos índices de votos conscientes de causar vergonha. Um político honesto, bom gestor, com um bom plano de governo e boa equipe de trabalho corre um grande risco de perder a eleição para outros candidatos sem programa, ou que fazem campanhas milionárias, ou cujos discursos principais são a critica e os ataques pessoais. A falta de consciência do nosso eleitorado fica comprovada a ponto de termos que fazer uma lei para barrar os candidatos ficha suja!

             As pessoas se transformam com o clima eleitoral! Aplaudem os “bocas sujas” (os que dizem palavrões e fazem ataques pessoais, geralmente em tom acalorado) nos comícios, fazem vista grossa a violência moral e física, a calúnia e as inverdades desde que seja para beneficiar o candidato preferido. Tudo em nome de interesses que vão dos mais nobres aos mais mesquinhos e inconfessáveis. No fundo não é uma escolha de programas de governo. É uma luta esganiçada de interesses de grupos ou pessoas. Daí tanto empenho e tanta luta, deixando de lado o bom senso. É um total desvirtuamento dos meios e objetivos de uma eleição.

            As festas exageradas das vitórias parecem demonstrar que estão comemorando mais que a oportunidade de realizar um plano de governo. Estão a comemorar cargos, empregos, privilégios e outras benesses. E como muitos são pequenos na vitória.  Partem para uma interminável humilhação dos vencidos, através do deboche e da provocação. Queimam dinheiro com fogos de artifício, assustando nossos pobres cães com ouvidos tão sensíveis. De quatro em quatro anos temos aqui no Brasil eleições e tudo que o que for feito pode gerar troco no mesmo grau e intensidade. Há que se saber perder, mas importantíssimo é saber ganhar.  Os que hoje perderam foram os vitoriosos no passado. Os que são os vitoriosos do momento podem muito bem serem os grandes derrotados no futuro. Em muitos países o eleito rasga a ficha partidária num gesto simbólico de que governará para todos. A verdadeira comemoração deveria ser quando o nosso eleito deixar o governo com a missão cumprida. Algumas vezes houve tantas comemorações na eleição e posse e o eleito se transformou em total decepção, deixando o cargo totalmente desprestigiado.

            Até quando seguiremos fazendo eleições desvirtuadas, totalmente fora dos verdadeiros objetivos da política que é a busca do bem comum e com isso continuar perpetuando a miséria e a ignorância? Depende unicamente de nós! Pense, discuta, reflita, converse seriamente sobre este assunto com seus familiares, amigos e com todas as pessoas de suas relações. Vamos mudar esta realidade que não causa orgulho a ninguém!

Orlando Vanin Trage

Cirurgião Buco-Maxilo-Facial

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Qual é o preço moral de uma eleição?





Vitor e Gabriela























Qual é o preço de uma eleição?


Alegria é um município muito agradável para viver. Tem muitos problemas, mas também tem muita coisa boa. Foi lá que passei minha saudosa infância na companhia da minha família, conheci meus melhores amigos, estudei em escola pública e por questões profissionais tive que morar em outro lugar. É bonito e sem dúvida, é um ótimo lugar para passear, morar, tirar o sustento e para criar os filhos.

Passados alguns dias das eleições municipais em Alegria, já sem a influência das fortes emoções e sentimentos, independente do resultado, me vi envolto em uma conversa com a minha esposa Gabriela que me fez pensar.

Somos um casal jovem, e como muitos casais, pensamos em um dia ter nossos filhos. Os filhos nos trarão muita felicidade, mas também muita preocupação. Essa preocupação toda se agravou com tudo o que presenciei nesses meses de campanha eleitoral em todos os municípios. Sempre fui ensinado pelos meus pais a ter valores, a ter palavra, a ter caráter. Meus professores sempre ensinaram a honestidade, a bondade e a importância da confiança, da responsabilidade e do comprometimento para tentar fazer do mundo um lugar melhor. É isso que espero passar aos meus filhos.

Mas como todos já sabem, nada é melhor do que o exemplo. Fico pensando em como alguns pais e mães do município de Alegria irão ensinar aos seus filhos os melhores princípios e valores se eles vendem o seu voto, se eles mentem, se eles estabelecem de forma egoísta uma falsa relação de amizade e confiança apenas pensando em obter vantagens pessoais, geralmente financeiras. Não se importam se irão magoar, trair ou machucar. Não se importam com a honra e com a palavra. Não se importam se será bom para a comunidade, mas sim se será bom para eles, exclusivamente. Presenciei isso em pessoas de classes sociais diferentes, dentre elas pessoas com necessidades e pessoas dotadas de alto grau de instrução e de muito patrimônio e dinheiro. Todas com uma característica comum: a ausência do bom caráter.

Esses eleitores não podem andar de cabeça erguida e dizer: “eu escolhi a pessoa para dar o meu voto”, quando na verdade, ela que é olhada e algum candidato pensa:“esse é apenas mais um eleitor que eu comprei“.

Todas as pessoas que votaram e escolheram nossos representantes com a cabeça e o coração, abracem seu filho e diga que você fez o certo, que fez o melhor. Mas para todas essas pessoas que escolheram nossos representantes pelo medo, pela ameaça, pela promessa de um favor, por benefícios particulares ou pelo dinheiro, sinta vergonha e não deixe que seu filho lhe faça a infeliz pergunta: PAI, QUANTO VALE O MEU FUTURO? Afinal, o futuro dos seus filhos não tem preço!

Vitor Emanuel Trage

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais

Universidade de Passo Fundo


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Voto consciente?


         Voto Consciente?

          Acho que a nossa sociedade e a nossa democracia não vem bem. Como cidadão procuro fazer a minha parte para melhorar o meu município, o meu estado, o meu país e até mesmo o nosso planeta. Acabamos de passar por eleições em todos os municípios brasileiros. Sabendo da importância que tem o voto para balizar os rumos de uma administração, é o momento oportuno para que você aí, com os seus próprios botões, reflita e admita para você mesmo (não é preciso revelar a ninguém a conclusão a que você chegar) que tipo de voto você deu nesta eleição? Reflita sinceramente. É muito importante! Há certas coisas acontecendo que não dá para colocar a culpa nos outros é preciso fazer o “mea culpa”.

          1º - Foi um voto consciente?

          2º - Foi um voto partidário?

          3º - Foi um voto de interesse pessoal?

          4º - Foi um voto sob ameaça?

          5º - Foi um voto de protesto?

          6º - Você votou em quem achou que iria vencer a eleição?

          O percentual do voto consciente varia de lugar para lugar, porém em geral, segundo alguns analistas de marketing político, é menos de 10% dos votos do eleitorado, chegando em algumas cidades a pouco significativa cifra de 3%, portanto uma estatística muito preocupante para a democracia, pois este deveria ser o voto que deve decidir uma eleição. Sabemos que o tal voto consciente advém do grupo de eleitores considerados politizados, verdadeiramente cidadãos auto-suficientes que analisam criticamente cada candidato antes de definir em quem votar. Com o percentual citado acima tão baixo é realmente de deixar preocupados os cidadãos responsáveis, pois o que decide a eleição são fatores que não tem nada a ver com o bem comum e a qualidade da gestão. Os candidatos vencedores elogiam o tal voto consciente atribuindo a eles as suas vitórias, já os candidatos derrotados lamentam a sua falta, atribuindo a isto a derrota. Levando-se em consideração a atual conjuntura política vivenciada em nossa sociedade, já não se está exigindo muito dos eleitores e políticos, sendo admitidos como conscientes aqueles que simplesmente não aderem ao tão comentado jogo de compra e venda de votos. O pensamento também é corroborado por muitos cidadãos e alguns políticos, para quem, ser consciente se reduz apenas a essa postura de não vender e não comprar o voto. E o que dizer daqueles que afirmam participar do verdadeiro banco de negociações cuja mercadoria é o voto, porém de maneira “inteligente”, como costumam dizer, recebem de um ou mais candidatos e acabam votando em outro de quem não receberam quantia alguma pelo voto? Pelo que deu para se perceber, informalmente, esse contingente de eleitores cresceu ultimamente, o que, de certo modo, justifica os casos de candidaturas em que foram gastas quantias elevadas, mas que não lograram êxito eleitoral. Vejam, portanto, que voto realmente consciente é um voto raro. Parabéns se você se encaixar dentro desta categoria de voto! Você é verdadeiramente um cidadão que presta bons serviços ao nosso país. Parabéns! Quando chegarmos aos 50% de votos conscientes, teremos com certeza outra realidade.
          Se você foi um voto partidário, merece respeito, pois é importante que tenhamos partidos fortes e a fidelidade é uma coisa bonita, porém um voto meramente partidário em algum momento pode se transformar em um voto “burro”. Aproximadamente em torno de 20% de todos os votos são votos partidários. No fundo é um voto cego, sem análise alguma do candidato: É do meu partido é bom, pensa este tipo de eleitor!). Será que o seu partido em todas as eleições sempre teve o melhor candidato? É um voto que poderá, às vezes, ser meio inconsequente, mas não deixa de ser um voto digno e que merece o respeito. Você provavelmente é um pouco fanático. Porém é bom sonhar e acreditar nos sonhos. A fé é que move o mundo!
          Se você foi mais um dos muitos que pensou no interesse pessoal, você faz parte de uma triste estatística de um número considerável de pessoas “espertas”. Se você vende a sua dignidade, o futuro do seu município, o futuro dos seus filhos, o que podemos dizer a uma pessoa assim? Dignidade e futuro dos nossos filhos não tem preço que pague. O eleito deve ter compromisso com você por todo o tempo do mandato. Se ele já pagou o seu voto o compromisso dele no contrato que implicitamente fez com você acabou por aí. E então você terá de esperar mais quatro anos por novas migalhas, advinda do leilão do seu voto. E assim vai perpetuando a pobreza, o atraso e a ignorância! É de se lamentar muito... Tende estudar e educar-se. Eduque seus filhos! Acredito que seja a única coisa que possa mudar esta realidade: Educação, educação!
          Se você votou cabresteado, oficialmente chamado de voto “cabalado”, isto é aquele voto em que você votou pressionado por cabo eleitoral ou candidato é de se lamentar que não tenham tido o mínimo respeito por você, pela sua liberdade pela sua capacidade de pensar e decidir por vontade própria. Tiram de você o direito de “ser dono do prório nariz”! Você foi roubado em sua dignidade de cidadão, assaltaram você e roubaram de você uma coisa valiosa: o seu voto. Dá próxima vez proteja-se desses marginais assaltantes. A cabine de votação garante a você o direito a privacidade e ao sigilo do voto. Se for preciso recorra às autoridades, garanta o seu direito de cidadão. Vote de acordo com a sua consciência. Denuncie a pressão.
          Se você foi um voto de protesto, se votou por raiva, uma vez passa, pois é direito seu fazer esta escolha, mas se você sistematicamente vota por raiva, procure tratar-se emocionalmente e buscar o necessário equilíbrio psicológico. Não é justo toda a sociedade pagar o preço elevado de escolhas erradas. Procure fazer o contrário, vote por amor a alguma causa. Se você procurar bem, sempre encontrará um bom motivo para votar em alguém. Pense no futuro e não no passado! O passado não muda mais. Pelo menos tente influenciar o futuro.
          Se você é dos que gostam sempre de estar do lado do vencedor, é um “Maria vai com as outras” e vota naquele que lhe parece que vai ganhar, você está jogando fora a oportunidade de fazer a diferença. O seu voto junto com o de muitos outros, podem mudar o seu futuro e destino da sua cidade. Procure influir com o seu voto no balizamento da administração. Não espere que as coisas aconteçam por obra do acaso. O acaso, tem mais probabilidade de gerar o caos e não o progresso. Você com um pouquinho de esforço pode engordar o percentual do voto consciente, pense nisto! Você tem um pouco de dificuldade de se apaixonar por uma causa. Gosta de abraçar a escolha dos outros. Escolha você mesmo. Não deixe os outros decidirem por ti! Use o seu direito de dar um voto cidadão!
          Pelo visto acima, consciência, elemento essencial à cidadania, é coisa ainda rara nos seres humanos. Daí porque considero que estamos ainda distantes da verdadeira democracia e que consciência e política são elementos que parecem não se juntam muito bem. Temos que melhorar a educação neste país para formar sujeitos autodeterminados e que atuem de maneira consciente em suas vidas de cidadãos.

Orlando Vanin Trage
Cirurgião-Buco-Maxilo-Facial

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conhecidos os Eleitos, comemorada a vitória, agora é hora refletir um pouco sobre como apaziguar o nosso município.


Pós-eleição: Convivendo com os escombros da “guerra”...

É grande a divisão que se estabelece nas comunidades, durante uma campanha eleitoral e se mantém mesmo passada a eleição. Em algumas localidades o processo eleitoral assume o modelo de uma verdadeira batalha, muitas vezes com disparos não só de discursos acalorados, mas de balas de verdade... O clima de divisão e de “ódio” perdura de forma traumática, gerando divisões altamente prejudiciais à vida social e ao desenvolvimento da comunidade. Ficam as alas dos vencidos e vencedores, uma alimentando ódio contra a outra, trocando acusações e “caçando as bruxas” para saber quem votou em quem. Enquanto os vencedores comemoram, os vencidos passam por um período de não aceitação do resultado e buscam, algumas vezes, nas medidas judiciais o milagre que possa reverter o resultado que não lhes foi favorável nas urnas. É mais uma etapa da luta e do sofrimento emocional que vai até a posse do eleito, quando então começa o eterno duelo: situação x oposição.

Poderia ser diferente? Certamente que sim! Precisamos fazer as campanhas eleitorais de outra forma, cabendo esta responsabilidade aos políticos e a sociedade. Os políticos precisam apresentar propostas claras sobre o futuro governo, e os eleitores não devem fazer suas escolhas baseados apenas nos nomes dos candidatos ou dos partidos que eles representam, sonegando o espaço para as propostas, na medida em que saem logo exteriorizando as escolhas, através de toda a sorte de adesivos, bandeiras, manifestações verbais. Costumeiramente alguns assumem o apoio a um dos lados sem ouvir os demais, (por proximidade com aquele candidato, pelo fato de ele representar a grei partidária ou a garantia de emprego, etc.). Um voto realmente consciente não deveria primeiro ouvir todos os lados?

Certamente que cada país/município tem as suas peculiaridades que precisam ser respeitadas. Um cidadão holandês manifestou-me sua absoluta surpresa pelo fato de nós manifestarmos publicamente as nossas escolhas, avalizando para outras pessoas alguém que, afinal de contas, talvez nem conheçamos. Na Holanda é costume a campanha ser feita apenas pelos candidatos, seus familiares, membros dos partidos e alguns cabos eleitorais. A maioria da população não exterioriza apoio a este ou aquele candidato, respeitando a capacidade do outro de formar suas próprias opiniões. Elas comparecem às reuniões políticas e ouvem as propostas de governo de todos os candidatos, geralmente levando papel e caneta para fazer anotações das colocações mais importantes e assim, de forma silenciosa, decidem em quem votarão. Passada a eleição, existe uma proposta vencedora que contemplará a maioria, e não se vêem vencidos nem vencedores. Não haverá pessoas soltando bombas em cima dos vizinhos, e o eleito, governa para todos, pois não distingue amigos de opositores.

Será que um dia também conseguiremos fazer eleições sem transformá-las numa guerra, podendo votar ou até mesmo sermos candidatos, sem ficarmos inimigos de ninguém? Estamos em uma democracia! Temos o direito de discordar até mesmo das pessoas por quem temos respeito e simpatia, convivendo com as diferenças, sem fazer destas um obstáculo a solução dos problemas coletivos. Aí quem sabe possamos votar no domingo cedinho, ir para casa tomar chimarrão com a família e desfrutar de um belo dia de lazer e de verdadeira cidadania!

          Alegria, 08 de Outubro de 2012

                    Orlando Vanin Trage

                    Cirurgião-Buco-Maxilo-facial

domingo, 15 de abril de 2012

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 EM ALEGRIA: Uma Breve Avaliação do Consenso e Algumas Considerações Importantes para o Momento

A data derradeira em que os partidos têm que realizar as convenções e escolher a nominata de candidatos as próximas eleições municipais se avizinha rapidamente. Política deve ser coisa séria e uma eleição é o momento mais importante de toda atividade político partidária. O cidadão só pode participar diretamente do processo de escolha dos candidatos a candidatos através da atuação em algum partido político, pois todos os pretendentes a concorrer numa eleição tem que passar por uma convenção partidária e só então podem ser realmente considerados candidatos e partir daí é que a decisão de escolher um ou outro fica por conta dos eleitores. É a nossa legislação eleitoral. Ninguém pode ser candidato independente! Então digamos que a opção que o eleitor poderá fazer na eleição através do voto é, eu diria usando uma analogia já que é oferecida de graça, um “presente” dos partidos políticos, pois são eles que nos dão a possibilidade de votar neste ou naquele candidato.
            Na última eleição municipal em Alegria os partidos “presentearam” a população com o consenso. Foi uma tentativa, visualizada naquele momento pelos dirigentes partidários para tentar contornar uma série de problemas importantes da comunidade com repercussões negativas sobre o crescimento do município. Só quem foi dirigente partidário ou candidato sabe o sacrifício que uma eleição disputada palmo a palmo impõe a quem dela participa. São as despesas de campanha cujos custos oficialmente deveriam ser pagos pelos partidos, porém quem contribui de fato é um número reduzidíssimo de filiados ou simpatizantes. O que acontece é que a conta acaba sendo toda paga por umas poucas pessoas, muitas vezes o próprio candidato a prefeito, acarretando um grande e injusto sacrifício financeiro pessoal. Aqueles que acham que, neste sentido, o consenso não foi bom, então deverão no próximo pleito ter a responsabilidade de ajudar a pagar a conta da eleição, fazendo doações aos partidos e colaborar para fazer campanhas com despesas menores, exigindo menos sacrifício dos candidatos. Isso sem falar naqueles eleitores que pensam que para votar devem receber algum benefício pessoal. Se o candidato a prefeito arcar sozinho com os custos da campanha eleitoral, vai se achar no direito de ser personalista, de governar sozinho também. Se o partido não o ajuda, não tem o legítimo direito de opinar na administração depois, restringindo desta forma a participação popular, o que não é desejável no trato da coisa pública.
            Outro fator a ser analisado em relação a opção pelo consenso, foi a notória violência sempre presente e crescente nas campanhas eleitorais de Alegria e a forte partidarização e divisão da comunidade em consequência deste fato, seja na administração pública, bem como na vida social da comunidade que tinha sempre que conviver no pós-eleição por vários meses ou mesmo anos com os “escombros” da guerra eleitoral que se travava, gerando verdadeiro trauma em muitas pessoas. Não existe bem maior no mundo do que a paz. Como é bom a noite você poder encostar o rosto no travesseiro e dormir tranquilo. E ninguém pode negar que uma eleição acirrada faz com que as pessoas fiquem nervosas, agressivas, percam a cordialidade e até ajam muitas vezes de forma inadequada, desrespeitosa e violenta. Todos tem que ter em mente que não basta ganhar uma eleição. É preciso ter condições de governar depois! Como diz o ditado: “De boas intenções o inferno está cheio”. Uma boa  condição de governança torna-se complicada com brigas políticas muito acirradas, pois o prefeito depois de eleito vai ter que governar para todos e para isso vai ser preciso muito diálogo. Em minha opinião, este também foi um fator positivo do consenso.
            Quanto ao objetivo de juntar esforços visando a busca de recursos de emendas parlamentares para o município me parece que falhou em parte, pois foi muito desigual a participação dos partidos que compuseram o consenso na obtenção de emendas do orçamento da união. Talvez não tenha sido por falta de vontade ou esforço, mas sim por falta de força política no município de algumas lideranças partidárias. E olha que para o nosso município estas verbas são fundamentais para a realização de obras importantes. O prefeito que não puder contar com verbas do orçamento da união, vai poder mal apenas manter o custeio da máquina, sem realizar nenhuma obra importante, estagnando o desenvolvimento. Neste sentido o PP, no cargo de prefeito sempre teve força política para conseguir importantes emendas que resultaram em inúmeras obras importantíssimas para o município, contando também, verdade seja dita, com algumas emendas parlamentares de outros partidos com força eleitoral no município. O próximo prefeito deverá estar consciente deste fato e por isto em não havendo mais consenso, há ainda assim a necessidade de uma grande articulação das forças políticas de Alegria a bem da receita financeira para os necessários investimentos.
            Em relação ao possível enxugamento da máquina administrativa em virtude do consenso só houve uma demissão de um funcionário antigo e pelo que me consta, muitas contratações a mais, resultantes da pressão dos aliados por espaço na administração, sendo possivelmente um fator negativo do processo, já que um enxugamento da máquina publica parecia necessário, em minha opinião.
            Quanto ao consenso na câmara de vereadores, sempre só foi consenso entre os vereadores, pois a maioria dos eleitores e dirigentes partidários foi contra a lista única dos nove vereadores. Que houvesse pelo menos a eleição de mais três suplentes teria sido uma proposta bem mais razoável.
            Em relação ao Consenso houve, me parece, um acordo e uma meta, enfim um planejamento de ações. Agora talvez seja momento oportuno para as metas serem avaliadas pelos aliados, pois avaliação das metas atingidas deve ser parte fundamental de qualquer planejamento. E um fator importantíssimo é a avaliação que a população faz do consenso, pois a população deve ser o objetivo fundamental de qualquer ação administrativa.  
            Acho que é o momento portanto de todos os partidos sentarem para analisar o cenário político de forma responsável, serena e madura. Só depois desta etapa para o bem do nosso querido município, acho que o rumo ou os rumos dos partidos em relação a eleição municipal de 2012 podem ser tomados. O partido que pretender administrar o município deve demonstrar a comunidade que é capaz de dizer de publico e cara a cara o que pensa a respeito da administração e dos problemas do município e que fundamentalmente sabe dialogar com todos os partidos e comunidade, pois vai ter que fazer isto depois para bem governar. Que não venha alguém querendo ganhar a eleição, fazendo-se passar por santinho, falando mal das administrações anteriores e sem mostrar o que pretende realizar uma vez eleito.
             E já que teremos eleições, atenção especial devem ter todos os partidos e candidatos novatos que queiram disputá-la: Tem que conhecer e cumprir a legislação eleitoral, pois do contrário sofrerão muitos dissabores durante e após a eleição, podendo resultar em pesadas multas e outras penas mais como, por exemplo, prestação de serviços comunitários, só para falar de coisas brandas.
            Os candidatos, principalmente a prefeito e vice que, cheios de boa intenção, pretendem administrar o nosso município é preciso conscientizem desde já que precisam se preparar para ocupar estas funções,  pois a responsabilidade do cargo é muito grande para deixar tudo para depois ou por conta de assessores que por sua vez já precisam entrar preparados também. Depois quando vierem as multas e as dores de cabeça por conta de atos irregulares cometidos, a alegação de que são sabem não justifica as falhas. Para tudo na vida precisamos nos preparar, imaginem então para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade como planejar o futuro, elaborar e cumprir o orçamento do município e cumprir a risca toda a legislação pertinente. É trabalho para gigantes. E que venham eleições civilizadas e candidatos que nos permitam sonhar com dias melhores. Este é a minha avaliação e o meu desejo!

Participe você também do debate sobre a eleição municipal em Alegria!

Apesar da minha atuação há muitos anos e do meu conhecimento de política, não pretendo participar diretamente da próxima eleição a não ser através deste blog e das redes sociais na internet. Contribuições e criticas serão bem vindas. Basta que vocês postem os comentários no próprio Blog ou  me enviem diretamente  pelo e-mail orlandotrage@wnl.com.br, que estarei comentando em nova publicação ou mesmo publicando o seu comentário no blog. Não aceitarei transgressões as nossas leis e agressões bem como ofensas a pessoas ou instituições. Esta será a nossa colaboração neste momento com a comunidade de Alegria. Obrigado