Pessoal, a campanha política está
muito acirrada para o gosto de muitas pessoas. Eu gostaria de ver um debate de
propostas. Há muito blá, blá, blá. Perda de tempo com coisas irrelevantes. Uma
campanha de acusações, com verdadeiras, tentativas de linchamento moral. Verdadeiras
picuinhas de fofoqueiros. A maioria dos eleitores não gosta que subestimem a sua
inteligência, não gosta de estupidez. Os candidatos a presidência tem que
demonstrar que são estadistas, a serviço do seu país e das nações unidas. As
propostas do projeto devem ser claras. Quando é que votaremos em propostas e em
partidos e não em pessoas? É uma vergonha que se tenha que questionar a
honestidade dos candidatos e até de alguns partidos. Esta deveria ser a
condição primeira de alguém que aspira governar o país. Enquanto não votamos em
propostas ou em programas de partidos como ninguém governa sozinho, seria
importante conhecer o pensamento da equipe que irá assessorar o mandatário. Tem
que ficar bem claro que o eleito respeitará a vontade do povo. Que não
governará para grupos. Numa democracia deve ser feito o governo da maioria,
tendo sempre um olhar atento e acolhedor também para as minorias.
Frente a toda essa “empepinada e embananosa”
salada de frutas desta campanha, estou tentando ser racional e buscar raciocinar
de uma forma ordenada e segura, isenta de paixões. Para isto fui buscar a
sabedoria popular. Muitos dos assim chamados ditados populares se mostraram
verdadeiros ao longo do tempo e alguns, é claro, são apenas parcialmente reais,
porém não deixando de ter um “fundo de verdade” o que já deve ser motivo para
nos levar a meditar sobre o assunto.
Temos que buscar a verdade. “A
verdade vos fará livres”, diz a bíblia. E a verdade pode estar muito longe da
declaração daquela grande autoridade, do pensamento já consagrado daquele
sábio, do ensinamento de um emérito professor, ou da dica daquele artista
famoso, ou do vizinho ou amigo bem informado. Eles podem ser bons na área
deles, mas quem garante que podem enxergar a verdade com mais clareza que nós?
Até porque posar de sábio irretocável não é uma atitude muito “franciscana” de
humildade. Temos, portanto, sempre que nos dar o direito de ficar em dúvida. A
certeza é a maior inimiga da verdade. E como neste período de eleições
encontramos pessoas que tem certeza de que seus candidatos(as) são os melhores!
E muitos até não tem certeza que os candidatos são bons, mas acreditam que sabem
quem é o pior.
Vou me valer da velha sabedoria dos
meus avós e dos meus pais para tentar jogar um pouco de luz nesta confusão de
“mente, desmente” do ambiente político. Um dos grandes ditados é de que
“digam-me com andas que te direi quem és”. Isto se mostra muito verdadeiro e
podemos observar de forma bastante clara em realidades próximas a nós. O
semelhante atrai o semelhante. Nós somos amigos e andamos juntos daqueles com
quem temos afinidades, com quem nos identificamos na maneira de agir e de
pensar. Portanto se na diplomacia andamos juntos com países que atentam contra
a liberdade de imprensa e a democracia (Cuba, Venezuela, Irã, Bolívia, Equador)
e que reelegem os mandatários indefinidamente, certamente temos uma inclinação
para o totalitarismo e o cerceamento das liberdades individuais e mais cedo ou
mais tarde vamos manifestar isto. Se em nossa trajetória começar a aparecer
ladrões; se temos companheiros ladrões. Se ladrões são nossos heróis! É muito
provável que estejamos em um grupo de ladrões e não adianta dizer que não sabíamos.
Até poderemos ser enganados uma ou duas vezes, mas sistematicamente nos
“enganarmos” é ingenuidade “burra” ou sem-vergonhice mesmo.
Outro ditado popular muito sábio é de
que “de boas intenções o inferno está cheio”. Neste caso quem tem um leque
muito grande de boas intenções, que vai contemplar todas as áreas, que para
tudo terá uma solução, ou é tão burro que “não sabe que não sabe” ou é um
inescrupuloso enganador. É um discurso que merece reservas severas para se
acreditar. As necessidades são infinitas e os recursos limitados. Há que se
optar por prioridades.
O outro ditado bastante confiável, é
que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Existem suspeitas, existem
indícios e existem provas. E contra provas, não há argumentos. Se nós ignoramos provas concretas, ou mesmo uma série de indícios fortes, certamente
somos um cego que não quer ver. Um fanático apaixonado, uma pessoa inútil em
qualquer lugar do mundo. Fanáticos assim já ajudaram a matar muitos inocentes,
até idosos e crianças, ao longo da história da humanidade. Em minha opinião,
temos que nos policiar para ver se não estamos nos fanatizando. Se você realiza
todos os dias várias postagens na net sobre sua agremiação política, ou não consegue
passar uma hora sem tocar no assunto com alguém, se sente o sangue ferver por
dentro, quando criticam o seu lado, se acha que o teu partido ou agremiação tem
a exclusividade das boas intensões, da competência e da moral, você é um
fanático. O pior é que o fanático perde a humildade de reconhecer o seu
fanatismo e vai seguir pensando que é um grande iluminado que só ele consegue
visualizar com sabedoria quando está cercado de outros seres ignorantes. Uma
situação assim é muito grave. Uma verdadeira ameaça para a sociedade! E o pior
de tudo é que este mal é muito contagioso. Um fanático fanatiza o outro, formam um grupo
que reforça a doença dos membros e ainda passa ela adiante. Ainda não existe e
não existirá vacina para isto. Pode ser prevenido, em primeiro lugar, por
espírito desprendido, humildade e educação plural e verdadeira. Por aí dá para
ter uma ideia de que a prevenção também não é fácil e a cura quase impossível. Por
isto que em alguns lugares muitas autoridades ou pessoas também acometidas pelo
mesmo mal acham que só abatendo algumas cabeças ou o rebanho todo pode acabar
com a epidemia.
Outro ditado importante que meu pai
me ensinou é que “onde tem fumaça tem fogo”! Pela minha experiência de vida
este também se mostra muito verdadeiro, embora as vezes possa ser um fogo de
palha, pouco importante, que já passa, ou um foguinho abafado, pequeno mas que
fica minando por baixo e produzindo fumacinha... Mas gente, quando há uma
fumaceira que não acaba mais e que dura muito tempo e que vira e mexe a fumaça
aumenta com certeza tem um fogo grande. Quando começa a circular rumor e a cada
semana tem que ficar explicando, desmentindo e volta a explicar, só “cego que
não quer ver” acredita que nada haja.
Onde não há fogo não adianta botar lenha que a fogueira do nada não
aparece. Quando o alarme de fogo é falso, logo se fica sabendo! Portanto
desconfie das contínuas e intermináveis explicações dos candidatos tentando livrar
o couro como diz o gaúcho, pois neste “mato tem coelho” com certeza.
“Para o bom entendedor meias palavras
bastam”. Freud, através da psicologia explicou muitas coisas. Cometemos atos
falhos, o corpo fala, as palavras dizem muito e mostram o nosso inconsciente. Observem de longe com isenção e
vocês conseguirão muitas vezes entender onde os políticos e seu grupo querem
chegar. Olhem bem nas mensagens subliminares das imagens das propagandas ou o
pano de fundo das reuniões. Vão juntando detalhes aqui e detalhes ali e vocês
vão descobrir a realidade sem que ela seja dita, basta que você saiba perceber as sutilizas e ir juntando uma ponta
solta aqui, outra ali.
Outro ensinamento que dá para levar
fé é que dificilmente as pessoas mudam em matéria de hábitos pessoais e de
crenças. Portanto olhar o passado tem valor pedagógico, apesar de que muito
pouca coisa que tenha acontecido no passado, poder ser impedimento para que as
pessoas estejam juntas e sonhem. Podemos usar o passado como lição, mas não
como fator impeditivo absoluto. O
passado já passou, o presente é um momento efêmero que já vira passado muito
rápido. O importante é o futuro e quem pode prever com exatidão o futuro?
Ninguém de sã consciência pode garantir que o futuro será assim ou assado. E o
que mais tem na época da campanha é candidato prevendo o futuro caso o
adversário ganhe! Não é de até o diabo ficar com pena de um povo que tenha uma
campanha assim: Os candidatos não apresentam propostas claras e concretas e, portanto,
não preveem como será seu próprio governo, mas são capazes de prever em
detalhes como será ruim o governo do adversário.
Gente em eleições, como na vida,
estamos correndo o trisco de acertar ou errar na escolha, mas talvez o mais importante
mesmo seja o fato de poder escolher! Escolha de acordo com o seu entendimento não se deixe influenciar por cegos condutores de cegos. Talvez nem este texto deva ser levado em consideração, pois você é livre para pensar. Ninguém é capaz de entrar dentro da cabeça do outro assumir o cérebro e entender porque o outro pensa daquela maneira. Por isso respeito pelas opiniões alheias e uma boa dose de tolerância é muito necessário para a prática da democracia!
Orlando Vanin Trage
13 de outubro de 2014.
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