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| Vitor e Gabriela |
Qual é o preço de uma eleição?
Alegria é um município muito agradável para viver. Tem muitos problemas, mas também tem muita coisa boa. Foi lá que passei minha saudosa infância na companhia da minha família, conheci meus melhores amigos, estudei em escola pública e por questões profissionais tive que morar em outro lugar. É bonito e sem dúvida, é um ótimo lugar para passear, morar, tirar o sustento e para criar os filhos.
Passados alguns dias das eleições municipais em Alegria, já sem a influência das fortes emoções e sentimentos, independente do resultado, me vi envolto em uma conversa com a minha esposa Gabriela que me fez pensar.
Somos um casal jovem, e como muitos casais, pensamos em um dia ter nossos filhos. Os filhos nos trarão muita felicidade, mas também muita preocupação. Essa preocupação toda se agravou com tudo o que presenciei nesses meses de campanha eleitoral em todos os municípios. Sempre fui ensinado pelos meus pais a ter valores, a ter palavra, a ter caráter. Meus professores sempre ensinaram a honestidade, a bondade e a importância da confiança, da responsabilidade e do comprometimento para tentar fazer do mundo um lugar melhor. É isso que espero passar aos meus filhos.
Mas como todos já sabem, nada é melhor do que o exemplo. Fico pensando em como alguns pais e mães do município de Alegria irão ensinar aos seus filhos os melhores princípios e valores se eles vendem o seu voto, se eles mentem, se eles estabelecem de forma egoísta uma falsa relação de amizade e confiança apenas pensando em obter vantagens pessoais, geralmente financeiras. Não se importam se irão magoar, trair ou machucar. Não se importam com a honra e com a palavra. Não se importam se será bom para a comunidade, mas sim se será bom para eles, exclusivamente. Presenciei isso em pessoas de classes sociais diferentes, dentre elas pessoas com necessidades e pessoas dotadas de alto grau de instrução e de muito patrimônio e dinheiro. Todas com uma característica comum: a ausência do bom caráter.
Esses eleitores não podem andar de cabeça erguida e dizer: “eu escolhi a pessoa para dar o meu voto”, quando na verdade, ela que é olhada e algum candidato pensa:“esse é apenas mais um eleitor que eu comprei“.
Todas as pessoas que votaram e escolheram nossos representantes com a cabeça e o coração, abracem seu filho e diga que você fez o certo, que fez o melhor. Mas para todas essas pessoas que escolheram nossos representantes pelo medo, pela ameaça, pela promessa de um favor, por benefícios particulares ou pelo dinheiro, sinta vergonha e não deixe que seu filho lhe faça a infeliz pergunta: PAI, QUANTO VALE O MEU FUTURO? Afinal, o futuro dos seus filhos não tem preço!
Vitor Emanuel Trage
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais
Universidade de Passo Fundo

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