Pós-eleição: Convivendo com
os escombros da “guerra”...
É grande
a divisão que se estabelece nas comunidades, durante uma campanha eleitoral e
se mantém mesmo passada a eleição. Em algumas localidades o processo eleitoral
assume o modelo de uma verdadeira batalha, muitas vezes com disparos não só de
discursos acalorados, mas de balas de verdade... O clima de divisão e de “ódio”
perdura de forma traumática, gerando divisões altamente prejudiciais à vida
social e ao desenvolvimento da comunidade. Ficam as alas dos vencidos e
vencedores, uma alimentando ódio contra a outra, trocando acusações e “caçando
as bruxas” para saber quem votou em quem. Enquanto os vencedores comemoram, os
vencidos passam por um período de não aceitação do resultado e buscam, algumas
vezes, nas medidas judiciais o milagre que possa reverter o resultado que não
lhes foi favorável nas urnas. É mais uma etapa da luta e do sofrimento
emocional que vai até a posse do eleito, quando então começa o eterno duelo:
situação x oposição.
Poderia ser diferente? Certamente que sim! Precisamos fazer as campanhas
eleitorais de outra forma, cabendo esta responsabilidade aos políticos e a
sociedade. Os políticos precisam apresentar
propostas claras sobre o futuro governo, e os eleitores não devem fazer suas
escolhas baseados apenas nos nomes dos candidatos ou dos partidos que eles
representam, sonegando o espaço para as propostas, na medida em que saem logo
exteriorizando as escolhas, através de toda a sorte de adesivos, bandeiras,
manifestações verbais. Costumeiramente alguns assumem o apoio a um dos lados
sem ouvir os demais, (por proximidade com aquele candidato, pelo fato de ele
representar a grei partidária ou a garantia de emprego, etc.). Um voto
realmente consciente não deveria primeiro ouvir todos os lados?
Certamente que cada país/município tem as suas peculiaridades que
precisam ser respeitadas. Um cidadão holandês manifestou-me sua absoluta
surpresa pelo fato de nós manifestarmos publicamente as nossas escolhas,
avalizando para outras pessoas alguém que, afinal de contas, talvez nem
conheçamos. Na Holanda é costume a campanha ser feita apenas pelos candidatos,
seus familiares, membros dos partidos e alguns cabos eleitorais. A maioria da população
não exterioriza apoio a este ou aquele candidato, respeitando a capacidade do
outro de formar suas próprias opiniões. Elas comparecem às reuniões políticas e
ouvem as propostas de governo de todos os candidatos, geralmente levando papel
e caneta para fazer anotações das colocações mais importantes e assim, de forma
silenciosa, decidem em quem votarão. Passada a eleição, existe uma proposta
vencedora que contemplará a maioria, e não se vêem vencidos nem vencedores. Não
haverá pessoas soltando bombas em cima dos vizinhos, e o eleito, governa para
todos, pois não distingue amigos de opositores.
Será que um dia também conseguiremos fazer eleições sem transformá-las
numa guerra, podendo votar ou até mesmo sermos candidatos, sem ficarmos
inimigos de ninguém? Estamos em uma democracia! Temos o direito de discordar
até mesmo das pessoas por quem temos respeito e simpatia, convivendo com as
diferenças, sem fazer destas um obstáculo a solução dos problemas coletivos. Aí
quem sabe possamos votar no domingo cedinho, ir para casa tomar chimarrão com a
família e desfrutar de um belo dia de lazer e de verdadeira cidadania!
Alegria, 08 de Outubro de
2012
Orlando Vanin Trage
Cirurgião-Buco-Maxilo-facial
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