E a tal de Educação Como é Que Fica?
A campanha
política, a eleição e o pós-eleição, são momentos ímpares na vida das
populações, principalmente das pequenas cidades, onde o calor e o furor da
disputa são mais intensos. É quando muitas pessoas fazem uma pausa no respeito
e nas boas maneiras que a vida civilizada requer (não vamos nem falar em
educação que é um conceito bem mais amplo) e agem de forma desrespeitosa,
chegando muitas vezes a casos extremos de estupidez e agressividade. Pessoas
verdadeiramente educadas seguem uma linha de coerência e adotam sempre uma
mesma postura. A violência e o desrespeito são fatos estranhos à verdadeira
essência da política. A eleição deveria ser simplesmente a escolha criteriosa
entre os diversos projetos de governo. E para escolher entre projetos há apenas
que tratar de inteirar-se dos mesmos, escolher um deles e votar no candidato
que o representa.
Pois neste
período, as pessoas deixam de lado a polidez e a cordialidade. Família e
amizades são coisas sagradas que devem ser preservadas do embate político,
acima de qualquer coisa, mas infelizmente muitas relações de parentesco e de
amizades ficam estremecidas, pela total falta de sensibilidade de algumas
pessoas para lidar com este período da vida da sociedade. Há também que
preservar do envolvimento neste assunto as instituições como as escolas e as
comunidades religiosas que deveriam manter-se neutras. Infelizmente tive
conhecimento de professores, pseudo-professores no caso, que tentaram aliciar
votos através dos alunos e que no pós-eleição desrespeitaram o momento difícil
de dor das crianças cujos pais não foram eleitos, ao invés de acolhê-las e
confortá-las, fizeram-nas vítimas indefesas de gozações e discriminação.
Considero estas atitudes gravíssimas do ponto visto educacional e humanitário.
Uma pessoa assim é um animal agindo movido por um instinto perverso, jamais um
educador! E o que dizer dos que querem
misturar religião com política e das instituições que são públicas e que deveriam
manter a devida isenção, porém acabam tornando-se verdadeiros focos de campanha
dissimulada ou não. E o desrespeito entre os próprios colegas de trabalho que
são a nossa segunda família, é injustificável! Precisamos urgentemente nos
humanizar. Há pessoas agindo no período eleitoral de forma totalmente
irracional.
Nós somos
responsáveis pelas futuras gerações e pelo comportamento político delas.
Estamos ensinando a nossos filhos o voto consciente? A grande maioria
infelizmente está ensinando o voto partidário e o voto por interesse. Temos
índices de votos conscientes de causar vergonha. Um político honesto, bom
gestor, com um bom plano de governo e boa equipe de trabalho corre um grande
risco de perder a eleição para outros candidatos sem programa, ou que fazem
campanhas milionárias, ou cujos discursos principais são a critica e os ataques
pessoais. A falta de consciência do nosso eleitorado fica comprovada a ponto de
termos que fazer uma lei para barrar os candidatos ficha suja!
As pessoas se transformam com o clima
eleitoral! Aplaudem os “bocas sujas” (os que dizem palavrões e fazem ataques
pessoais, geralmente em tom acalorado) nos comícios, fazem vista grossa a violência
moral e física, a calúnia e as inverdades desde que seja para beneficiar o
candidato preferido. Tudo em nome de interesses que vão dos mais nobres aos
mais mesquinhos e inconfessáveis. No fundo não é uma escolha de programas de
governo. É uma luta esganiçada de interesses de grupos ou pessoas. Daí tanto
empenho e tanta luta, deixando de lado o bom senso. É um total desvirtuamento
dos meios e objetivos de uma eleição.
As festas
exageradas das vitórias parecem demonstrar que estão comemorando mais que a
oportunidade de realizar um plano de governo. Estão a comemorar cargos,
empregos, privilégios e outras benesses. E como muitos são pequenos na
vitória. Partem para uma interminável
humilhação dos vencidos, através do deboche e da provocação. Queimam dinheiro
com fogos de artifício, assustando nossos pobres cães com ouvidos tão
sensíveis. De quatro em quatro anos temos aqui no Brasil eleições e tudo que o
que for feito pode gerar troco no mesmo grau e intensidade. Há que se saber
perder, mas importantíssimo é saber ganhar. Os que hoje perderam foram os vitoriosos no
passado. Os que são os vitoriosos do momento podem muito bem serem os grandes
derrotados no futuro. Em muitos países o eleito rasga a ficha partidária num
gesto simbólico de que governará para todos. A verdadeira comemoração deveria
ser quando o nosso eleito deixar o governo com a missão cumprida. Algumas vezes
houve tantas comemorações na eleição e posse e o eleito se transformou em total
decepção, deixando o cargo totalmente desprestigiado.
Até quando seguiremos
fazendo eleições desvirtuadas, totalmente fora dos verdadeiros objetivos da
política que é a busca do bem comum e com isso continuar perpetuando a miséria
e a ignorância? Depende unicamente de nós! Pense, discuta, reflita, converse seriamente
sobre este assunto com seus familiares, amigos e com todas as pessoas de suas
relações. Vamos mudar esta realidade que não causa orgulho a ninguém!
Orlando Vanin Trage
Cirurgião
Buco-Maxilo-Facial
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