segunda-feira, 5 de novembro de 2012

É a tal de educação como é que fica?


            E a tal de Educação Como é Que Fica?

            A campanha política, a eleição e o pós-eleição, são momentos ímpares na vida das populações, principalmente das pequenas cidades, onde o calor e o furor da disputa são mais intensos. É quando muitas pessoas fazem uma pausa no respeito e nas boas maneiras que a vida civilizada requer (não vamos nem falar em educação que é um conceito bem mais amplo) e agem de forma desrespeitosa, chegando muitas vezes a casos extremos de estupidez e agressividade. Pessoas verdadeiramente educadas seguem uma linha de coerência e adotam sempre uma mesma postura. A violência e o desrespeito são fatos estranhos à verdadeira essência da política. A eleição deveria ser simplesmente a escolha criteriosa entre os diversos projetos de governo. E para escolher entre projetos há apenas que tratar de inteirar-se dos mesmos, escolher um deles e votar no candidato que o representa.

            Pois neste período, as pessoas deixam de lado a polidez e a cordialidade. Família e amizades são coisas sagradas que devem ser preservadas do embate político, acima de qualquer coisa, mas infelizmente muitas relações de parentesco e de amizades ficam estremecidas, pela total falta de sensibilidade de algumas pessoas para lidar com este período da vida da sociedade. Há também que preservar do envolvimento neste assunto as instituições como as escolas e as comunidades religiosas que deveriam manter-se neutras. Infelizmente tive conhecimento de professores, pseudo-professores no caso, que tentaram aliciar votos através dos alunos e que no pós-eleição desrespeitaram o momento difícil de dor das crianças cujos pais não foram eleitos, ao invés de acolhê-las e confortá-las, fizeram-nas vítimas indefesas de gozações e discriminação. Considero estas atitudes gravíssimas do ponto visto educacional e humanitário. Uma pessoa assim é um animal agindo movido por um instinto perverso, jamais um educador!   E o que dizer dos que querem misturar religião com política e das instituições que são públicas e que deveriam manter a devida isenção, porém acabam tornando-se verdadeiros focos de campanha dissimulada ou não. E o desrespeito entre os próprios colegas de trabalho que são a nossa segunda família, é injustificável! Precisamos urgentemente nos humanizar. Há pessoas agindo no período eleitoral de forma totalmente irracional.

            Nós somos responsáveis pelas futuras gerações e pelo comportamento político delas. Estamos ensinando a nossos filhos o voto consciente? A grande maioria infelizmente está ensinando o voto partidário e o voto por interesse. Temos índices de votos conscientes de causar vergonha. Um político honesto, bom gestor, com um bom plano de governo e boa equipe de trabalho corre um grande risco de perder a eleição para outros candidatos sem programa, ou que fazem campanhas milionárias, ou cujos discursos principais são a critica e os ataques pessoais. A falta de consciência do nosso eleitorado fica comprovada a ponto de termos que fazer uma lei para barrar os candidatos ficha suja!

             As pessoas se transformam com o clima eleitoral! Aplaudem os “bocas sujas” (os que dizem palavrões e fazem ataques pessoais, geralmente em tom acalorado) nos comícios, fazem vista grossa a violência moral e física, a calúnia e as inverdades desde que seja para beneficiar o candidato preferido. Tudo em nome de interesses que vão dos mais nobres aos mais mesquinhos e inconfessáveis. No fundo não é uma escolha de programas de governo. É uma luta esganiçada de interesses de grupos ou pessoas. Daí tanto empenho e tanta luta, deixando de lado o bom senso. É um total desvirtuamento dos meios e objetivos de uma eleição.

            As festas exageradas das vitórias parecem demonstrar que estão comemorando mais que a oportunidade de realizar um plano de governo. Estão a comemorar cargos, empregos, privilégios e outras benesses. E como muitos são pequenos na vitória.  Partem para uma interminável humilhação dos vencidos, através do deboche e da provocação. Queimam dinheiro com fogos de artifício, assustando nossos pobres cães com ouvidos tão sensíveis. De quatro em quatro anos temos aqui no Brasil eleições e tudo que o que for feito pode gerar troco no mesmo grau e intensidade. Há que se saber perder, mas importantíssimo é saber ganhar.  Os que hoje perderam foram os vitoriosos no passado. Os que são os vitoriosos do momento podem muito bem serem os grandes derrotados no futuro. Em muitos países o eleito rasga a ficha partidária num gesto simbólico de que governará para todos. A verdadeira comemoração deveria ser quando o nosso eleito deixar o governo com a missão cumprida. Algumas vezes houve tantas comemorações na eleição e posse e o eleito se transformou em total decepção, deixando o cargo totalmente desprestigiado.

            Até quando seguiremos fazendo eleições desvirtuadas, totalmente fora dos verdadeiros objetivos da política que é a busca do bem comum e com isso continuar perpetuando a miséria e a ignorância? Depende unicamente de nós! Pense, discuta, reflita, converse seriamente sobre este assunto com seus familiares, amigos e com todas as pessoas de suas relações. Vamos mudar esta realidade que não causa orgulho a ninguém!

Orlando Vanin Trage

Cirurgião Buco-Maxilo-Facial

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