domingo, 15 de abril de 2012

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 EM ALEGRIA: Uma Breve Avaliação do Consenso e Algumas Considerações Importantes para o Momento

A data derradeira em que os partidos têm que realizar as convenções e escolher a nominata de candidatos as próximas eleições municipais se avizinha rapidamente. Política deve ser coisa séria e uma eleição é o momento mais importante de toda atividade político partidária. O cidadão só pode participar diretamente do processo de escolha dos candidatos a candidatos através da atuação em algum partido político, pois todos os pretendentes a concorrer numa eleição tem que passar por uma convenção partidária e só então podem ser realmente considerados candidatos e partir daí é que a decisão de escolher um ou outro fica por conta dos eleitores. É a nossa legislação eleitoral. Ninguém pode ser candidato independente! Então digamos que a opção que o eleitor poderá fazer na eleição através do voto é, eu diria usando uma analogia já que é oferecida de graça, um “presente” dos partidos políticos, pois são eles que nos dão a possibilidade de votar neste ou naquele candidato.
            Na última eleição municipal em Alegria os partidos “presentearam” a população com o consenso. Foi uma tentativa, visualizada naquele momento pelos dirigentes partidários para tentar contornar uma série de problemas importantes da comunidade com repercussões negativas sobre o crescimento do município. Só quem foi dirigente partidário ou candidato sabe o sacrifício que uma eleição disputada palmo a palmo impõe a quem dela participa. São as despesas de campanha cujos custos oficialmente deveriam ser pagos pelos partidos, porém quem contribui de fato é um número reduzidíssimo de filiados ou simpatizantes. O que acontece é que a conta acaba sendo toda paga por umas poucas pessoas, muitas vezes o próprio candidato a prefeito, acarretando um grande e injusto sacrifício financeiro pessoal. Aqueles que acham que, neste sentido, o consenso não foi bom, então deverão no próximo pleito ter a responsabilidade de ajudar a pagar a conta da eleição, fazendo doações aos partidos e colaborar para fazer campanhas com despesas menores, exigindo menos sacrifício dos candidatos. Isso sem falar naqueles eleitores que pensam que para votar devem receber algum benefício pessoal. Se o candidato a prefeito arcar sozinho com os custos da campanha eleitoral, vai se achar no direito de ser personalista, de governar sozinho também. Se o partido não o ajuda, não tem o legítimo direito de opinar na administração depois, restringindo desta forma a participação popular, o que não é desejável no trato da coisa pública.
            Outro fator a ser analisado em relação a opção pelo consenso, foi a notória violência sempre presente e crescente nas campanhas eleitorais de Alegria e a forte partidarização e divisão da comunidade em consequência deste fato, seja na administração pública, bem como na vida social da comunidade que tinha sempre que conviver no pós-eleição por vários meses ou mesmo anos com os “escombros” da guerra eleitoral que se travava, gerando verdadeiro trauma em muitas pessoas. Não existe bem maior no mundo do que a paz. Como é bom a noite você poder encostar o rosto no travesseiro e dormir tranquilo. E ninguém pode negar que uma eleição acirrada faz com que as pessoas fiquem nervosas, agressivas, percam a cordialidade e até ajam muitas vezes de forma inadequada, desrespeitosa e violenta. Todos tem que ter em mente que não basta ganhar uma eleição. É preciso ter condições de governar depois! Como diz o ditado: “De boas intenções o inferno está cheio”. Uma boa  condição de governança torna-se complicada com brigas políticas muito acirradas, pois o prefeito depois de eleito vai ter que governar para todos e para isso vai ser preciso muito diálogo. Em minha opinião, este também foi um fator positivo do consenso.
            Quanto ao objetivo de juntar esforços visando a busca de recursos de emendas parlamentares para o município me parece que falhou em parte, pois foi muito desigual a participação dos partidos que compuseram o consenso na obtenção de emendas do orçamento da união. Talvez não tenha sido por falta de vontade ou esforço, mas sim por falta de força política no município de algumas lideranças partidárias. E olha que para o nosso município estas verbas são fundamentais para a realização de obras importantes. O prefeito que não puder contar com verbas do orçamento da união, vai poder mal apenas manter o custeio da máquina, sem realizar nenhuma obra importante, estagnando o desenvolvimento. Neste sentido o PP, no cargo de prefeito sempre teve força política para conseguir importantes emendas que resultaram em inúmeras obras importantíssimas para o município, contando também, verdade seja dita, com algumas emendas parlamentares de outros partidos com força eleitoral no município. O próximo prefeito deverá estar consciente deste fato e por isto em não havendo mais consenso, há ainda assim a necessidade de uma grande articulação das forças políticas de Alegria a bem da receita financeira para os necessários investimentos.
            Em relação ao possível enxugamento da máquina administrativa em virtude do consenso só houve uma demissão de um funcionário antigo e pelo que me consta, muitas contratações a mais, resultantes da pressão dos aliados por espaço na administração, sendo possivelmente um fator negativo do processo, já que um enxugamento da máquina publica parecia necessário, em minha opinião.
            Quanto ao consenso na câmara de vereadores, sempre só foi consenso entre os vereadores, pois a maioria dos eleitores e dirigentes partidários foi contra a lista única dos nove vereadores. Que houvesse pelo menos a eleição de mais três suplentes teria sido uma proposta bem mais razoável.
            Em relação ao Consenso houve, me parece, um acordo e uma meta, enfim um planejamento de ações. Agora talvez seja momento oportuno para as metas serem avaliadas pelos aliados, pois avaliação das metas atingidas deve ser parte fundamental de qualquer planejamento. E um fator importantíssimo é a avaliação que a população faz do consenso, pois a população deve ser o objetivo fundamental de qualquer ação administrativa.  
            Acho que é o momento portanto de todos os partidos sentarem para analisar o cenário político de forma responsável, serena e madura. Só depois desta etapa para o bem do nosso querido município, acho que o rumo ou os rumos dos partidos em relação a eleição municipal de 2012 podem ser tomados. O partido que pretender administrar o município deve demonstrar a comunidade que é capaz de dizer de publico e cara a cara o que pensa a respeito da administração e dos problemas do município e que fundamentalmente sabe dialogar com todos os partidos e comunidade, pois vai ter que fazer isto depois para bem governar. Que não venha alguém querendo ganhar a eleição, fazendo-se passar por santinho, falando mal das administrações anteriores e sem mostrar o que pretende realizar uma vez eleito.
             E já que teremos eleições, atenção especial devem ter todos os partidos e candidatos novatos que queiram disputá-la: Tem que conhecer e cumprir a legislação eleitoral, pois do contrário sofrerão muitos dissabores durante e após a eleição, podendo resultar em pesadas multas e outras penas mais como, por exemplo, prestação de serviços comunitários, só para falar de coisas brandas.
            Os candidatos, principalmente a prefeito e vice que, cheios de boa intenção, pretendem administrar o nosso município é preciso conscientizem desde já que precisam se preparar para ocupar estas funções,  pois a responsabilidade do cargo é muito grande para deixar tudo para depois ou por conta de assessores que por sua vez já precisam entrar preparados também. Depois quando vierem as multas e as dores de cabeça por conta de atos irregulares cometidos, a alegação de que são sabem não justifica as falhas. Para tudo na vida precisamos nos preparar, imaginem então para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade como planejar o futuro, elaborar e cumprir o orçamento do município e cumprir a risca toda a legislação pertinente. É trabalho para gigantes. E que venham eleições civilizadas e candidatos que nos permitam sonhar com dias melhores. Este é a minha avaliação e o meu desejo!

2 comentários:

  1. Que bom Junior que tenhas gostado do artigo! Apesar de mais de 700 pessoas terem acessado esta publicação, só você realizou, por enquanto, um comentário público. Muitos preferiram o e-mail, mandando uma mensagem pessoal. Agradeço o incentivo feito publicamente. Obrigado Junior!

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